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Boulos defende proibição das bets e afirma que apostas “corroem orçamento das famílias”

Ministro da Secretaria-Geral critica impacto das apostas on-line, aponta risco de endividamento e cobra medidas mais duras do governo

Guilherme Boulos (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
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247 - O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, defendeu a proibição das plataformas de apostas on-line no Brasil e criticou os impactos econômicos e sociais provocados pelas chamadas bets. As declarações foram feitas nesta terça-feira (12), durante participação no programa Bom Dia, Ministro.

Segundo Boulos, a regulamentação aprovada pelo Congresso Nacional não foi suficiente para conter os problemas relacionados ao setor. O ministro afirmou que as plataformas de apostas têm causado prejuízos ao orçamento das famílias brasileiras e associou parte das empresas do segmento a práticas ilícitas.

“A minha posição é que tinha que proibir as bets no Brasil. O Lula tentou uma regulamentação no Congresso, que foi aprovada, mas ela não resolveu. Várias bets estão envolvidas com lavagem de dinheiro”, declarou.

O ministro também criticou o modelo de tributação aplicado às empresas de apostas esportivas e cassinos virtuais. Para ele, o setor exerce forte influência política e paga menos impostos do que trabalhadores assalariados.

“As bets conseguiram fazer um lobby no Congresso para evitar a taxação, elas pagam 12% de imposto, metade do imposto de renda do trabalhador, isso é um escândalo. Estão corroendo a família brasileira, o orçamento das famílias, transformando o tempo do trabalhador em tempo de vício. Tem que acabar essa farra das bets”, afirmou Boulos.

O endurecimento das regras para o setor passou a integrar a estratégia política do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tenta ampliar o debate sobre os impactos das apostas digitais no país. Na última quinta-feira (7), o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), apresentou um projeto de lei que prevê a proibição dos cassinos virtuais no Brasil.

A proposta pretende barrar a exploração, a oferta e a publicidade de jogos de azar on-line. O texto também revoga trechos da legislação sancionada pelo governo federal em dezembro de 2023, que regulamentou as apostas esportivas eletrônicas.

Entre os principais argumentos apresentados pelos defensores da proibição está o funcionamento de jogos como o chamado “jogo do tigrinho”. Segundo o projeto, essas plataformas utilizam algoritmos internos e mecanismos de recompensa intermitente capazes de estimular dependência nos usuários.

Apesar das críticas de integrantes do governo, ainda não há consenso dentro do Palácio do Planalto sobre o futuro das apostas on-line no país.O avanço do endividamento das famílias brasileiras também entrou no centro das discussões sobre o setor. O governo federal decidiu incluir no programa Desenrola Brasil 2.0 uma medida que impede usuários beneficiados pela renegociação de dívidas de acessar plataformas de apostas por um período de um ano.

A nova fase do programa foi lançada pelo Ministério da Fazenda neste mês e busca evitar que famílias retomem ciclos de endividamento relacionados ao jogo on-line. Para integrantes da equipe econômica, as apostas têm contribuído diretamente para o aumento das dívidas no país.

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