Brasil envia 100 toneladas de ajuda médica à Venezuela após ataque dos EUA destruir centro de saúde
Primeira remessa tem 40 toneladas de insumos para garantir hemodiálise aos pacientes venezuelanos seguirá nesta sexta-feira
247 - O Brasil anunciou o envio de 100 toneladas de medicamentos e insumos médico-hospitalares à Venezuela em resposta à destruição do maior centro de distribuição de saúde do país vizinho, atingido por um ataque militar feito por forças dos Estados Unidos no último fim de semana. A medida tem caráter humanitário e busca assegurar a continuidade de tratamentos essenciais, especialmente para pacientes que dependem de hemodiálise.
O Ministério da Saúde confirmou o envio imediato da primeira remessa, com 40 toneladas de insumos, prevista para a manhã desta sexta-feira (9). Segundo a pasta, cerca de 16 mil pacientes venezuelanos correm risco de vida caso não tenham acesso regular aos tratamentos interrompidos após a ofensiva.
Envio emergencial para garantir tratamentos vitais
Os insumos enviados incluem medicamentos de uso contínuo, filtros, linhas arterial e venosa, cateteres e soluções específicas para procedimentos de hemodiálise. O material foi obtido por meio de doações realizadas por hospitais universitários e instituições filantrópicas de diversas regiões do país e integra um conjunto estratégico considerado essencial para a assistência hospitalar.
As 100 toneladas de doações estão armazenadas no Centro de Distribuição de Insumos e Medicamentos do Ministério da Saúde, em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo. A primeira carga será transportada por uma aeronave venezuelana, e novos envios estão programados para ocorrer ao longo da próxima semana.
Doações não comprometem atendimento do SUS
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a iniciativa não impacta o atendimento prestado pelo Sistema Único de Saúde no Brasil. “Essa doação não afeta a estrutura e assistência dos cerca de 170 mil pacientes que realizam diálise atualmente no Sistema Único de Saúde. Temos estoques seguros no Brasil e podemos ser solidários com o país vizinho. Não podemos esquecer que, durante a pandemia da Covid-19, a Venezuela nos disponibilizou 130 mil metros cúbicos de oxigênio para o tratamento dos nossos cidadãos, diante de uma crise por uma má gestão do governo passado”, declarou.
Além do envio dos insumos, Padilha encaminhou uma carta à ministra da Saúde da Venezuela, Magaly Gutiérrez, reforçando o apoio do governo brasileiro à garantia da assistência em saúde da população venezuelana, com atenção especial aos pacientes de diálise afetados pela destruição do centro logístico.
Apoio institucional e ações na fronteira
O governo federal informou ainda que mantém ações permanentes de apoio humanitário na fronteira entre Brasil e Venezuela. Atualmente, cerca de 40 profissionais de saúde atuam na Operação Acolhida, em Pacaraima, no norte de Roraima, prestando atendimento médico, psicológico e social às pessoas que chegam ao país.
Segundo o Ministério da Saúde, uma nova equipe técnica foi enviada ao município nesta quarta-feira (7) para avaliar a situação local, enquanto um plano de contingência segue em curso para reforçar a resposta na região. Paralelamente, o governo autorizou o envio da Força Nacional de Segurança Pública para Pacaraima e Boa Vista, onde os agentes atuarão, por 90 dias, na preservação da ordem pública, da segurança das pessoas e do patrimônio.

