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'Brasil não poderia ter reagido de outra forma', diz Mauro Vieira sobre ataque dos EUA à Venezuela

Mauro Vieira afirma que posição do governo segue a Constituição e o direito internacional

Mauro Vieira (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

O chanceler Mauro Vieira defendeu, nesta quinta-feira (15), a reação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à ação militar dos Estados Unidos na Venezuela, que incluiu bombardeios em Caracas e o sequestro do presidente Nicolás Maduro. Para o Palácio do Planalto, a ofensiva ultrapassou limites aceitáveis no direito internacional e violou princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas. "Não se podia ter reagido de forma diferente porque, inclusive, os princípios constitucionais que estão no artigo 4º da Constituição, que orientam a política externa, um deles é a integridade territorial", disse o ministro, segundo o G1.

Reação do governo Lula à ofensiva militar

Logo após a ação militar estadunidense, o presidente Lula divulgou nota na qual classificou os bombardeios em território venezuelano e o sequestro do chefe de Estado como medidas que "ultrapassam um limite inaceitável". Segundo o texto, a ofensiva representa uma "flagrante violação do direito internacional" e pode abrir caminho para um cenário de "violência, caos e instabilidade". Apesar do posicionamento oficial, levantamento da pesquisa Quaest, divulgado na quarta-feira (14), indicou que 51% da população desaprova a reação do governo brasileiro.

Fundamentos constitucionais da posição brasileira

Vieira ressaltou que a política externa do país é guiada por princípios constitucionais claros, como independência nacional, autodeterminação dos povos e não intervenção. O chanceler citou episódios recentes para sustentar a coerência da atuação brasileira no cenário internacional.

"Da mesma forma que nós nos manifestamos contra a ameaça que houve no passado recente de disputa territorial da Venezuela com a Guiana sobre a questão do Essequibo, da mesma forma que nos manifestamos sobre isso, da mesma forma que nos manifestamos contra, e o presidente Lula, ainda antes de tomar posse, antes de ser eleito presidente, se manifestou contra a invasão da Rússia no território da Ucrânia, nós não poderíamos deixar de nos manifestar porque isso cria, inclusive, um precedente seríssimo, gravíssimo", afirmou.

Defesa do multilateralismo e da diplomacia

O ministro destacou ainda que o Brasil aposta no fortalecimento do multilateralismo e no diálogo como instrumentos centrais para a resolução de conflitos internacionais. "O Brasil é um país que zela e protege e quer aumentar o multilateralismo, o respeito ao direito internacional, o respeito entre as nações e a diplomacia e o diálogo como instrumento de aproximação e solução de controvérsias", disse.

Contatos com os Estados Unidos e a Venezuela

Segundo Vieira, o governo brasileiro comunicou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o Brasil poderia atuar como interlocutor junto à Venezuela. "O governo brasileiro e o presidente Lula (…) ao falar com o presidente Donald Trump, disse que o Brasil tinha contatos com a Venezuela e poderia servir de um agente para levar e trazer mensagens", relatou. De acordo com o chanceler, a mediação não avançou porque houve contato direto entre os chefes de Estado dos dois países.

Situação política em Caracas após a ação militar

Vieira informou que, após a operação militar, a vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu interinamente a Presidência da Venezuela e mantém diálogo com países vizinhos e parceiros internacionais. Ele confirmou que há contatos em curso com o Brasil e com os Estados Unidos.

Questionado sobre novas conversas entre Lula e Delcy Rodríguez, o ministro respondeu: "Ele já teve, se não me engano, duas ligações. Eu tive contatos, mantive contatos como tinha anteriormente com o Ministro das Relações Exteriores. Sempre que for necessário, manteremos contatos".

Ao comentar o cenário, o chanceler reforçou que a posição brasileira busca incentivar uma solução interna para a crise. "Nós queremos é que haja uma solução dos venezuelanos para os venezuelanos nessa questão", afirmou.

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