Brasil registra quinto ano consecutivo de queda nas mortes violentas
Levantamento do Ministério da Justiça aponta redução de 11% nos assassinatos em 2025, mantendo tendência iniciada após o pico histórico de 2017
247 - O Brasil registrou, pelo quinto ano seguido, uma redução no número de mortes violentas intencionais. Dados consolidados até terça-feira (20) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública indicam queda de 11% em 2025, com 34.086 ocorrências contabilizadas entre janeiro e novembro. O balanço ainda não inclui os dados de dezembro dos estados de São Paulo e da Paraíba, que não haviam sido incorporados ao sistema federal até a divulgação do levantamento, segundo o G1.
Mesmo com a ausência desses números finais, a tendência de redução se mantém. Em São Paulo, a média mensal entre janeiro e novembro foi de 228 mortes violentas, enquanto na Paraíba o número ficou em 79 casos por mês. Caso esse padrão se repetisse em dezembro, o acréscimo seria de cerca de 300 registros ao total nacional, o que ainda resultaria em uma queda anual estimada de 10,4%. O indicador reúne homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte, com dados enviados pelas secretarias estaduais de Segurança Pública ao governo federal.
A trajetória de queda vem se consolidando desde 2021. Entre 2021 e 2025, o país acumulou cinco anos consecutivos de retração nas mortes violentas, totalizando uma redução de 25% em relação a 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19. O recorde negativo da série histórica foi registrado em 2017, quando o país superou a marca de 60 mil assassinatos. Após uma queda em 2018 e 2019, houve novo aumento em 2020, seguido de reduções contínuas nos anos seguintes.
Para especialistas, diferentes fatores ajudam a explicar esse movimento. Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta mudanças no comportamento do crime organizado. “Foi um ano em que o crime organizado esteve, digamos assim, mais tranquilo em termos de briga do que anteriormente. Tem políticas públicas também. Estamos perto da eleição e algumas ações na segurança são tomadas. São todos fatores que podem explicar”, afirma.
Silvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), também associa a queda à diminuição de confrontos armados. “Como regra geral, quedas de mortes intencionais são resultantes de arranjos de facções, milícias e grupos armados”, diz. Segundo ela, a tendência de redução começou a se firmar em 2018. “É uma tendência de queda que foi inaugurada em 2018 e, de lá para cá, só em um ano tivemos alta. É bom manter e sustentar a queda”, completa.
A diminuição dos homicídios foi observada em todas as regiões do país em 2025. O Sul liderou a redução percentual, com queda de 22%, passando de 3.935 mortes violentas em 2024 para 3.055 no ano seguinte. No Centro-Oeste, a retração foi de 18%, de 2.682 para 2.204 casos. O Norte registrou queda de 11%, o Nordeste de 10% e o Sudeste de 8%.
Entre os estados, Mato Grosso do Sul apresentou a maior redução proporcional, com recuo de 28%. Paraná e Rio Grande do Sul também tiveram diminuição expressiva, ambos com queda de 24%. Em sentido contrário, Tocantins, Rio Grande do Norte e Roraima registraram aumento nas mortes violentas, com altas de 17%, 14% e 9%, respectivamente. Em números absolutos, Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco concentraram os maiores totais de mortes, enquanto Acre e Roraima apareceram entre os estados com menores registros.
Quando analisada a taxa de assassinatos por 100 mil habitantes, Ceará, Pernambuco e Alagoas lideram o ranking nacional, com índices acima de 29 mortes por 100 mil. A média brasileira caiu para 15,97 em 2025, abaixo dos 18,05 registrados em 2024, indicando melhora no indicador proporcional.
Apesar do recuo geral nos assassinatos, o país registrou um dado preocupante em relação aos feminicídios. Em 2025, ao menos quatro mulheres foram mortas por dia em crimes dessa natureza, número que ainda pode crescer com a inclusão dos dados de dezembro pendentes. Criada em 2015, a tipificação de feminicídio se refere a assassinatos motivados pela condição de gênero da vítima. Naquele ano, foram registrados 535 casos, e os dados atuais apontam um crescimento acumulado de 316% em uma década. Em resposta a esse cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou, em 2024, uma lei que ampliou as penas para o crime, estabelecendo punições que variam de 20 a 40 anos de prisão.


