Carlos Bolsonaro reage a Valdemar e expõe tensão no PL
Filho de Jair Bolsonaro critica fala do presidente do partido e sugere isolamento político do ex-presidente preso em Brasília
247 - O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) criticou publicamente uma declaração do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, sobre a definição de candidaturas estaduais da legenda. A reação ocorreu após entrevista em que o dirigente partidário afirmou que cabe ao partido indicar nomes aos governos estaduais, enquanto Jair Bolsonaro (PL) teria a prerrogativa de apontar candidatos ao Senado.
A divergência veio à tona depois de Carlos informar que seu pai estaria elaborando uma lista de pré-candidatos ao Senado, aos governos estaduais e a outros cargos considerados estratégicos. A declaração foi contestada por Valdemar em entrevista ao portal Poder360, na qual ele delimitou as atribuições internas no partido
Na entrevista, Valdemar afirmou: “Debatemos tudo, mas o Senado é o Bolsonaro que indica. Sempre foi. Nós indicamos os governadores. Todos nós damos palpites em tudo. É normal. Sempre ouvimos nossos parceiros”.
A fala provocou reação de Carlos, que utilizou as redes sociais para rebater a interpretação de que haveria restrição à atuação política de seu pai. De acordo com ele, “ninguém disse” que a família Bolsonaro deixaria de dialogar com outras lideranças ou que não poderia indicar nomes para governos estaduais. O ex-vereador também sustentou que já existiria entendimento de que o ex-presidente elaboraria uma relação com candidatos de sua preferência, e que o PL poderia apoiá-lo “em outras situações”
Em tom crítico, Carlos escreveu: “Me parece que as coisas estão meio desencontradas sem querer querendo! As peças todas parecem se encaixar! Deixar o preso político isolado e fazendo isso que estamos vendo e de forma acentuada está cada dia mais… Estranho”.
Jair Bolsonaro está detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, desde 15 de janeiro, após transferência determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O ex-presidente foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Desde a transferência, o local passou a concentrar visitas de parlamentares e aliados políticos. O espaço se tornou ponto de articulação do bolsonarismo, onde lideranças apresentam cenários estaduais, discutem alianças e submetem decisões estratégicas ao crivo do ex-presidente, mesmo durante o cumprimento da pena.


