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Caso Master: PF rastreia dinheiro de Vorcaro em paraísos fiscais

Apuração mira possível fraude no BRB e fluxos em paraísos fiscais durante negociação do Banco Master

Caso Master: PF rastreia dinheiro de Vorcaro em paraísos fiscais (Foto: Divulgação )

247 - A Polícia Federal intensificou as investigações sobre o fluxo de recursos internacionais ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, com foco em possíveis irregularidades na negociação entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). A apuração, segundo O Globo, concentra-se em movimentações financeiras em paraísos fiscais, incluindo destinos como Dubai, e na suspeita de fraude na gestão de recursos.

A investigação acompanha o rastro de uma rede de fundos associada a Vorcaro, no âmbito de um inquérito aberto em fevereiro que apura possível gestão fraudulenta no BRB, instituição controlada pelo governo do Distrito Federal.

Rastreamento internacional e suspeitas de fraude

As investigações analisam operações realizadas durante a tentativa de venda do Banco Master ao BRB, proposta formalizada em março de 2025. O negócio foi barrado pelo Banco Central em setembro do mesmo ano, e a instituição acabou liquidada meses depois. Vorcaro foi preso pela primeira vez após o desfecho da operação.

O inquérito busca identificar o destino final dos recursos movimentados, especialmente em regiões com menor rigor regulatório. O rastreamento inclui dados financeiros e registros de operações em diferentes jurisdições.

Delação premiada e novos desdobramentos

Vorcaro negocia um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. Ele já assinou um termo de confidencialidade, e a expectativa é que apresente os anexos da colaboração em até duas semanas. Caso avance, o acordo deverá detalhar operações realizadas no exterior. Antes disso, o banqueiro vinha negando irregularidades e afirmando estar à disposição da Justiça. Procurado, não se manifestou.

Mudanças no BRB e auditorias internas

No fim do ano passado, o BRB passou por uma ampla reformulação administrativa. A nova gestão iniciou uma auditoria interna para apurar possíveis irregularidades relacionadas ao caso.

Em entrevista recente, o presidente do banco, Nelson de Souza, afirmou que “trocou quase toda a cúpula”, mantendo apenas dois diretores por não terem relação com o caso. Também foram substituídos membros do Conselho de Administração, do comitê de auditoria e superintendentes.

Auditorias conduzidas pelo escritório Machado Meyer Advogados e pela consultoria Kroll apontaram falhas no processo de aquisição de carteiras de crédito do Banco Master pelo BRB. Segundo os relatórios, cerca de 30 dirigentes foram responsabilizados e afastados.

Celulares, bilhões em operações e rede de fundos

A investigação também analisa dados extraídos de nove celulares de Vorcaro, que somam aproximadamente 400 GB de informações e cerca de 8 mil vídeos. O material é utilizado para mapear a circulação de recursos e identificar possíveis beneficiários.

Os investigadores apuram crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa. As suspeitas envolvem a venda de carteiras de crédito consideradas “insubsistentes”, com valores estimados inicialmente em R$ 12,2 bilhões, podendo chegar a R$ 17 bilhões.

Relações políticas e novos pontos investigados

Em depoimento à Polícia Federal, Vorcaro afirmou ter mantido contato com o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, durante as negociações envolvendo o Banco Master. Segundo ele, houve conversas no período, sem detalhamento do conteúdo. Ibaneis negou qualquer participação nas tratativas.

Outro ponto sob análise envolve um contrato de R$ 38 milhões firmado pelo escritório de advocacia de Ibaneis para a venda de honorários de precatórios a um fundo ligado à gestora Reag, também investigada e posteriormente liquidada pelo Banco Central.

Em nota, Ibaneis declarou que está afastado do escritório desde 2018 e afirmou que “não possui informações sobre negociações realizadas quase seis anos após seu afastamento” e que “nunca participou de quaisquer negociações” relacionadas à gestora.

A Reag é apontada por investigadores como parte de uma estrutura central na circulação dos recursos, integrando uma rede de fundos que teria dificultado a rastreabilidade do dinheiro. 

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