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Ciro Nogueira reapresenta ‘emenda Master’ após operação da PF e propõe ampliar proteção do FGC para R$ 1 milhão

Investigado na Operação Compliance Zero, senador do PP volta a defender proposta associada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro

Daniel Vorcaro e Ciro Nogueira (Foto: Reprodução | Agência Brasil )
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247 – O senador Ciro Nogueira (PP-PI) reapresentou nesta terça-feira (12) um projeto que amplia de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em casos de liquidação de instituições financeiras. A informação foi publicada pelo Valor Econômico e ocorre em meio ao avanço das investigações da Polícia Federal (PF) sobre a chamada “emenda Master”, associada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A proposta reaparece poucos dias depois de Ciro ter sido alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura suspeitas de fraudes relacionadas ao Banco Master e suposto recebimento de vantagens indevidas por parte do parlamentar.

Segundo a PF, a chamada “emenda Master” teria sido elaborada por assessores do banco e entregue ao senador durante a tramitação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que alterava regras do Banco Central em 2024. Em mensagens interceptadas pelos investigadores, Daniel Vorcaro afirmou que o texto saiu exatamente como havia sugerido.

Ciro nega irregularidades e também contesta a versão de que teria protocolado integralmente a proposta elaborada pela instituição financeira.

Senador tenta desvincular proposta do Banco Master

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Ciro Nogueira afirmou que decidiu reapresentar o projeto porque o valor atual do FGC estaria defasado diante da taxa Selic acumulada nos últimos anos.

“Agora não existe mais Banco Master [que foi liquidado]. Eu quero ver qual a desculpa que os grandes bancos vão usar pra negar esta proteção aos correntistas brasileiros”, declarou o senador.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, após uma série de questionamentos sobre sua situação financeira e operações no mercado.

O Fundo Garantidor de Créditos é uma entidade privada, sem fins lucrativos, mantida pelas próprias instituições financeiras associadas. Atualmente, o mecanismo protege até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada instituição ou conglomerado financeiro, respeitando um limite global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. O teto atual está em vigor desde 2013.

De acordo com Ciro, a atualização monetária baseada na Selic faria com que o valor protegido hoje já superasse R$ 840 mil.

Proposta busca aproximar Brasil de padrões internacionais

Na nova versão do projeto, o senador argumenta que a medida aproxima o sistema brasileiro de garantias bancárias de padrões adotados em outros países. Ele cita como exemplo os Estados Unidos, onde a cobertura equivalente alcança cerca de US$ 250 mil — aproximadamente R$ 1,2 milhão na cotação atual.

O texto também prevê que o limite do FGC seja revisado automaticamente a cada quatro anos.

Em conversas interceptadas pela Polícia Federal, Daniel Vorcaro chegou a definir a proposta como “uma bomba atômica para mercado financeiro”, afirmando que ela “ajuda os bancos médios e diminui poder dos grandes”.

Os investigadores consideram a emenda um dos principais elementos da apuração sobre a suposta atuação de Ciro Nogueira em favor do Banco Master.

Operação da PF amplia pressão sobre Ciro

A nova ofensiva da PF aumentou a pressão política sobre o senador, um dos principais líderes do Centrão e aliado histórico do bolsonarismo.

A operação incluiu buscas em endereços ligados a Ciro em Brasília e no Piauí, além da autorização para bloqueio de bens, direitos e valores estimados em R$ 18,8 milhões.

Na segunda-feira (11), o senador trocou sua equipe jurídica e contratou o criminalista Conrado Gontijo para atuar em sua defesa.

O avanço das investigações também gerou desconforto entre aliados da extrema direita. Ciro chegou a ser cogitado como vice em uma eventual chapa presidencial liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas interlocutores do campo bolsonarista admitem incômodo crescente com o desgaste provocado pelo caso.

A Polícia Federal segue investigando a relação entre parlamentares e executivos do Banco Master, enquanto o novo projeto reapresentado por Ciro Nogueira deverá enfrentar resistência de grandes instituições financeiras e intenso debate no Congresso Nacional.

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