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Ciro Nogueira recebia mesada de R$ 500 mil de Vorcaro, aponta PF

Investigadores encontraram no celular de Vorcaro diálogos e registros de pagamentos a uma pessoa mencionada apenas como “Ciro”

Ciro Nogueira seria 'destinatário central' de vantagens indevidas de Vorcaro, diz PF (Foto: Reprodução)

247 - A Polícia Federal identificou que o senador Ciro Nogueira (PP-PI) recebia repasses mensais do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que chegavam a R$ 500 mil por mês. Nogueira foi alvo de mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira, 7, na quinta fase da Operação Compliance Zero.

Relação financeira e política
Investigadores encontraram no celular de Vorcaro diálogos e registros de pagamentos a uma pessoa mencionada apenas como “Ciro”. Mensagens adicionais mostram que Vorcaro se referia ao senador como um “grande amigo de vida” e comemorava iniciativas legislativas do parlamentar que beneficiavam diretamente o Banco Master.

A data de uma das mensagens, 13 de agosto de 2024, coincide com a apresentação de emenda à PEC de autonomia financeira do Banco Central, que aumentou a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF. Políticos e integrantes do mercado financeiro interpretaram a medida como um favorecimento ao Master.

Nova fase da operação e delação premiada
A quinta fase da Operação Compliance Zero foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. A operação ocorre na mesma semana em que a defesa de Vorcaro entregou proposta de delação premiada à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR), ainda em análise e sem valor probatório neste estágio.

Segundo a investigação, a cobertura ampliada do FGC era estratégica para o Banco Master alavancar investimentos em seus Certificados de Depósitos Bancários (CDBs). A nova fase, porém, não está diretamente relacionada aos fatos da delação.

Fases anteriores e desdobramentos
A quarta fase da operação, realizada em 16 de abril, resultou na prisão do ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, que também demonstrou interesse em firmar acordo de delação. Até o momento, o senador Ciro Nogueira não se manifestou sobre os novos desdobramentos da investigação.

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