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Com faturamento de R$ 832 mil, empresa de Ciro Nogueira movimentou R$ 20 milhões em um ano

Relatório aponta valor incompatível com receita declarada e cita repasses ligados a Felipe Vorcaro

Empresa de Ciro Nogueira comprou imóveis de luxo enquanto recebia repasses do Banco Master (Foto: Andressa Anholete / Agência Senado / REUTERS/Amanda Perobelli / IA / Brasil 247)
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247 - Uma empresa da qual o senador Ciro Nogueira (PP-PI) é sócio movimentou R$ 20,079 milhões em aproximadamente um ano, montante considerado pela Polícia Federal incompatível com o faturamento anual declarado, de R$ 832 mil. O relatório também aponta repasses ligados a Felipe Vorcaro e foi enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o Valor Econômico.

A movimentação financeira foi identificada na CNLF Empreendimentos Imobiliários entre agosto de 2023 e agosto de 2024, com base em dados do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). A PF afirma no documento que a soma de créditos e débitos registrados no período destoa da receita anual informada pela empresa.

Relatório da PF cita incompatibilidade entre movimentação e receita

No relatório, a PF afirma que a CNLF movimentou R$ 20.079.823,00 no intervalo analisado. O valor, segundo os investigadores, não corresponderia ao faturamento declarado pela empresa. “Nesse período, a empresa movimentou um total de R$ 20.079.823,00, considerando créditos e débitos, valor incompatível com o faturamento anual declarado pela empresa”, diz trecho do relatório da PF.

O documento foi produzido a partir de informações financeiras comunicadas pelo Coaf e encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF. A análise integra a apuração sobre possíveis relações entre movimentações financeiras, repasses empresariais e atuação política no Senado.

Repasses da BRGD são mencionados na apuração

De acordo com a PF, a CNLF teria recebido R$ 902 mil da BRGD, empresa ligada a Felipe Vorcaro, primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Os pagamentos teriam ocorrido em três parcelas.

Para os investigadores, esses repasses podem ter relação com pagamentos mensais de R$ 300 mil que Daniel Vorcaro faria a Ciro Nogueira. A PF associa os créditos identificados nas contas da CNLF a diálogos entre Daniel Vorcaro e Felipe Vorcaro sobre transferências recorrentes.

“Os créditos da BRGD na CNLF, capturados pelo RIF (Relatório de Inteligência Financeira), são contemporâneos com os diálogos entre Daniel Vorcaro e Felipe Vorcaro sobre repasses mensais de R$ 300 mil”, afirma trecho da representação da PF.

PF aponta possível atuação política no Senado

Segundo a investigação, Ciro Nogueira teria atuado no Senado para exercer influência política e defender interesses de Vorcaro. A PF sustenta que a relação entre os investigados teria envolvido benefícios mútuos e finalidade ilícita.

“Nesse contexto, o que se verifica é que da relação profissional espúria e marcada por típico mutualismo ilícito derivou o vínculo pessoal, o qual apresenta como consequência - e não como causa - da associação funcional mantida entre os investigados.”

A PF também cita como um dos elementos da apuração a chamada “emenda Master”, proposta que buscava ampliar a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Para os investigadores, a medida teria relevância para o modelo de financiamento atribuído aos gestores do Master.

“Cumpre relembrar que a fraude financeira arquitetada pelos gestores do Master tinha por alicerce um modelo de funding que, na prática, dependia da credibilidade do selo do FGC para sustentar uma expansão agressiva”, registrou a PF.

Procurada pela Valor Econômico, a defesa de Ciro Nogueira informou que não iria comentar. O advogado de Daniel Vorcaro não respondeu até a publicação da matéria original.

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