Vorcaro gastou R$ 41 milhões em viagens de luxo, diz PF
Investigação aponta despesas do banqueiro com hotéis, iates, bolsa Hermès, massagistas e eventos em Nova York, Courchevel e St. Barths
247 - A Polícia Federal identificou que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, gastou cerca de R$ 41 milhões em viagens de luxo realizadas entre 2024 e 2025 para Nova York, Courchevel, nos Alpes franceses, e St. Barths, no Caribe. As despesas incluem hospedagens de alto padrão, aluguel de iate, fretamento de voos, massagistas à disposição, eventos exclusivos, compra de bolsa Hermès e reservas feitas para convidados, entre eles o senador Ciro Nogueira (PP-PI), detalha o jornal O Globo.
Os gastos foram detalhados em notas fiscais e mensagens reunidas pela investigação. A organização das viagens ficou a cargo de uma empresa sediada na Flórida, que prestava serviços classificados como “ultra premium” e cuidava de toda a logística dos deslocamentos, reservas, eventos e atendimentos personalizados solicitados por Vorcaro.
A companhia informou aos investigadores que atua há dez anos no mercado de turismo de luxo e que Vorcaro estava entre seus clientes mais frequentes. Segundo a empresa, sua carteira reúne 105 nomes. As conversas entre o banqueiro e o gerente da firma foram apreendidas pela PF e passaram a integrar o inquérito.
Em uma das viagens investigadas, a empresa organizou reservas no Park Hyatt New York, hotel de luxo em Manhattan, para Vorcaro e convidados. Entre os nomes citados está o senador Ciro Nogueira. A estadia ocorreu entre 11 e 15 de maio de 2024 e, segundo os documentos, tinha como objetivo a participação em eventos na cidade norte-americana.
A fatura referente à passagem por Nova York chegou a US$ 4,7 milhões, valor equivalente a cerca de R$ 23 milhões pela cotação da época. O documento aponta a reserva de três quartos no hotel localizado na chamada “rua dos bilionários”, incluindo a suíte presidencial. A cobrança também incluiu dois voos em jatinho entre Guarulhos e Nova York, despesas extras no hotel e compras atribuídas a um convidado.
A investigação também identificou a reserva de uma mansão com 21 suítes por três dias, ao custo de US$ 1,2 milhão, para a realização de três eventos. A estrutura incluiu produção, decoração, som, iluminação e apresentações artísticas, sem que os nomes dos artistas fossem especificados nos documentos.
Em mensagem enviada à então noiva, Martha Graeff, em 13 de maio de 2024, Vorcaro comentou a intensidade da programação. “Amanhã cedo tenho outro (evento). À tarde outro. À noite outro. E quarta uns quatro”, escreveu. Ela respondeu: “Que máximo! Que agenda crazy (louca). Não achei que fosse ser assim”.
A empresa também ficou responsável pela organização de um encontro no The Carnegie Club, local exclusivo em Nova York. O evento contou com distribuição de garrafas de uísque Macallan 30 anos e charutos. Entre os presentes, estavam políticos como o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL).
Oito meses depois, Vorcaro voltou a contratar os serviços da empresa para uma viagem a Courchevel, na França, em janeiro de 2025. A conta fechou em US$ 2,1 milhões, cerca de R$ 12,9 milhões na cotação do período. Entre os itens cobrados estavam equipamentos de esqui, restaurantes, massagistas disponíveis durante a estadia e hospedagem de luxo.
Somente com acomodação, o banqueiro gastou US$ 1,2 milhão. As faturas também registram a compra de uma bolsa Hermès no valor de US$ 15 mil. A despesa incluiu uma passagem aérea para que o item fosse entregue pessoalmente em Miami, onde vivia a então noiva de Vorcaro.
A previsão inicial era que o banqueiro permanecesse em Courchevel entre 11 e 26 de janeiro de 2025. No entanto, durante a viagem, ele antecipou sua saída. Vorcaro seguiu para Zurique, na Suíça, onde permaneceu entre os dias 23 e 24 de janeiro, e depois viajou para St. Barths, no Caribe, onde ficou de 28 de janeiro a 4 de fevereiro.
Ciro Nogueira, que era convidado de Vorcaro, continuou hospedado nos Alpes franceses. Nesse contexto, a PF identificou mensagens em que o banqueiro orientava o gerente da empresa de turismo a manter o pagamento de despesas em restaurantes para o senador.
Segundo a firma, Vorcaro repetiu a orientação em outro grupo criado para a organização da viagem, chamado “DV Courchevel”. Em mensagem escrita em inglês, o banqueiro afirmou que Ciro e sua companheira permaneceriam no local e que precisava que fossem feitas reservas em restaurantes até sábado para eles.
Enquanto custeava despesas do aliado em Courchevel, Vorcaro também realizava gastos em St. Barths. No Caribe, ele alugou uma vila inteira com nove quartos de frente para o mar, contratou um passeio de um dia de iate e pagou apresentações de artistas. A fatura da passagem pela ilha chegou a US$ 840 mil, aproximadamente R$ 5,2 milhões pela cotação da época.
Em manifestação registrada no curso da investigação, a empresa descreveu o perfil das contratações feitas pelo banqueiro. “O sr. Daniel Vorcaro, que integra o perfil de contratantes dos serviços prestados, figurou entre os clientes mais assíduos da empresa. Suas contratações compreendiam viagens e eventos de lazer, primordialmente privados, com foco no atendimento de concierge e serviços personalizados de alto padrão”, informou.



