Combate ao narcotráfico terá destaque na reunião entre Lula e Trump
Presidentes do Brasil e dos EUA se reúnem em Washington nesta quinta-feira para discutir acordo sobre o combate ao narcotráfico e comércio bilateral
247 - Os governos de Brasil e Estados Unidos estão em estágios avançados de negociação para estabelecer um novo acordo de cooperação voltado ao combate ao narcotráfico e à lavagem de dinheiro. De acordo com a coluna da jornalista Miriam Leitão, de O Globo, o tema será o eixo central do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, previsto para ocorrer nesta quinta-feira (7), em Washington.
A expectativa do Planalto é que a reunião sele o compromisso de intensificar a repressão ao tráfico de armas e drogas, além de asfixiar as rotas financeiras das organizações criminosas. Segundo fontes do alto escalão do governo brasileiro, caso as tratativas finais progridam nas próximas horas, os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Wellington Lima e Silva (Justiça) devem integrar a comitiva oficial aos Estados Unidos para formalizar os termos técnicos da parceria.
O desafio das facções e a soberania nacional
Um dos pontos de maior sensibilidade na agenda diplomática envolve a classificação das facções criminosas brasileiras. O governo do presidente Donald Trump manifestou o desejo de catalogar esses grupos como organizações terroristas. Essa postura gera cautela em Brasília, visto que o reconhecimento de grupos nacionais como terroristas por parte de Washington poderia abrir precedentes para intervenções estrangeiras em solo brasileiro.
Apesar dessa divergência conceitual, o Brasil enxerga com bons olhos o fortalecimento do intercâmbio de inteligência. O foco brasileiro está em "estrangular" o crime organizado por meio de investigações conjuntas e troca de dados financeiros, sem comprometer a autonomia das forças de segurança nacionais.
Comércio e tarifas no radar
Além da segurança pública, o diálogo econômico terá peso relevante na visita. O governo brasileiro prepara respostas detalhadas às investigações da "Seção 301", um dispositivo da lei de comércio norte-americana que avalia práticas de concorrência desleal. O temor é que essas investigações resultem em novas sobretaxas aos produtos brasileiros, especialmente após a Suprema Corte ter mantido tarifas em patamares próximos a 10%.
Uma fonte do governo destacou a complexidade das exigências técnicas impostas pelo escritório comercial da Casa Branca (USTR). "Só a investigação de trabalho análogo à escravidão tem 80 perguntas. Por isso é importante ter diálogo para não ficar tudo entregue ao USTR", disse o interlocutor.
Foco em agenda positiva
A diplomacia brasileira busca consolidar o que classifica como uma "agenda positiva", focada na manutenção de canais de comunicação diretos e de alto nível com a gestão Trump. O objetivo é evitar que disputas comerciais ou divergências políticas prejudiquem a relação bilateral.
"Esses dois temas (narcotráfico e investigações de comércio) são os mais importantes, mas estamos nos preparando para discutir outros assuntos também. Usando uma velha expressão queremos 'agenda positiva' e a grande preocupação é manter o diálogo em alto nível", afirmou a fonte.


