Contra o trabalhador, PL e União Brasil articulam para travar votação do fim da escala 6x1
Dirigentes admitem risco de aprovação e defendem segurar PEC na CCJ
247 - Os presidentes do PL, Valdemar da Costa Neto, e do União Brasil, Antônio Rueda, afirmaram que vão atuar para impedir que a proposta de emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6x1 seja levada ao Plenário da Câmara antes das eleições. Ambos reconheceram que, se a matéria avançar para votação aberta, a tendência é de aprovação ampla.
As declarações, segundo o jornal O Globo, foram dadas na noite desta segunda-feira (23), em São Paulo, durante jantar promovido pelo grupo Esfera Brasil. O evento reuniu empresários e representantes de empresas como Google, iFood e JHSF, além de integrantes do setor varejista e de outros segmentos da economia, que reagiram com aplausos às manifestações contrárias à proposta.
Estratégia para barrar a votação
Antônio Rueda declarou ter uma “posição pessoal” contrária ao projeto por entender que ele “vai onerar o setor produtivo e gerar inflação”. Ao mesmo tempo, admitiu a dificuldade de parlamentares que disputam reeleição se posicionarem contra a proposta.
“É uma posição muito cruel para quem está disputando uma reeleição ou um outro mandato. A gente tem que ter inteligência e segurar que essa votação vá para o Plenário, porque se ela for a Plenário, vai ser avassaladora (a aprovação). É um assunto muito penoso para o setor produtivo, eu tenho uma posição pessoal que eu vou defender junto à minha bancada. Isso vai ser um desatino, quem vai pagar essa conta são os consumidores. Eu defendo que a gente possa construir uma ‘barrigada’ (protelada) na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados). Eu defendo aqui uma posição, junto com o Valdemar em que a gente possa construir uma unidade dentro das comissões, principalmente na CCJ, para a gente poder ir ‘barrigando’ isso”, afirmou.
Pressão do setor empresarial
Valdemar da Costa Neto também ressaltou o impacto político da votação para deputados e senadores. “Se o camarada votar contra é muito difícil para ele”, disse. O dirigente defendeu mobilização do empresariado junto aos parlamentares para evitar que a matéria avance ao Plenário.
“Nós temos que trabalhar para não deixar votar de jeito nenhum, pedir a pressão dos empresários em cima de seus deputados, para a gente segurar isso para não votarmos. Se puser isso em pauta, é muito difícil não passar, eu tenho que ser honesto com vocês”, declarou. Em seguida, acrescentou: “O que nós pretendemos fazer? Trabalhar com o presidente da Câmara e segurar isso aí na CCJ, é onde será a guerra.”
Governo e Câmara aceleram tramitação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atua para que a proposta seja votada o quanto antes. O presidente da Câmara, Hugo Motta, sinalizou prioridade ao tema e informou, em vídeo publicado no domingo, que o relator da PEC na Comissão de Constituição e Justiça será indicado no início desta semana.
A proposta busca alterar a Constituição para permitir a redução da jornada semanal de trabalho, com a revisão do modelo atual de seis dias de trabalho para um de descanso. A ideia é consolidar, em um único texto, as iniciativas apresentadas pela deputada Érika Hilton (Psol-SP) e pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que defendem mudanças nas regras constitucionais sobre a jornada laboral no país.


