CPMI do INSS decide guardar dados de celulares de Vorcaro em ambiente controlado e sem acesso à internet
Preso após operação da PF, banqueiro segue em penitenciária em Brasília
247 - Os dados extraídos dos celulares do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, passarão a ser armazenados em uma sala restrita e sem acesso à internet na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. A medida foi anunciada nesta quinta-feira (12) pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG). As informações são do SBT News.
Segundo o parlamentar, a comissão já está em posse do conteúdo completo obtido com a quebra de sigilo dos aparelhos. Ele afirmou que o processo para baixar todas as informações levou quase sete horas. O material permanecerá em uma "sala-cofre", com controle de acesso e restrições ao uso de dispositivos eletrônicos.
De acordo com Viana, a decisão foi tomada para impedir novos vazamentos de informações provenientes do telefone do banqueiro. O senador afirmou que, com esse procedimento, "as informações poderão ser copiadas e utilizadas para novas apurações sem o risco de vazamentos do que foi nos entregue".
Na semana anterior, mensagens atribuídas ao celular de Vorcaro provocaram repercussão no Supremo Tribunal Federal (STF). O conteúdo indicaria supostas conversas entre o banqueiro e o ministro Alexandre de Moraes sobre movimentações para evitar a liquidação do Banco Master no mesmo dia em que Vorcaro foi preso, em novembro do ano passado.
Moraes negou a autoria das mensagens. Em nota divulgada após o caso, o ministro afirmou que os vazamentos tiveram origem em um "arquivo que a CPMI do INSS disponibilizou para toda a imprensa". O STF acolheu um pedido da defesa de Vorcaro e abriu investigação para apurar a responsabilidade pela divulgação das informações.
Outros conteúdos extraídos dos aparelhos incluíram mensagens de caráter íntimo entre Vorcaro e sua ex-noiva, Martha Graeff. Na segunda-feira (9), o ministro do STF Gilmar Mendes afirmou nas redes sociais que a divulgação de conversas privadas sem relação com eventuais crimes representa uma "gravíssima violação ao direito à intimidade". O magistrado classificou o episódio como uma "barbárie institucional", apontando que a exposição de diálogos pessoais ultrapassa limites previstos na legislação e na Constituição.
Investigação e prisão de Vorcaro
Integrantes da CPMI avaliam que os vazamentos podem comprometer o andamento das investigações e até abrir brechas jurídicas que favoreçam a defesa de Vorcaro. O banqueiro está preso em um presídio de segurança máxima em Brasília desde quarta-feira (4), após a terceira fase da Operação Compliance Zero.
De acordo com a Polícia Federal, Vorcaro é suspeito de liderar um grupo que atuava para pressionar adversários, incluindo jornalistas e ex-funcionários, com o objetivo de evitar ações contrárias aos seus interesses. A investigação também menciona supostos acessos a sistemas restritos de órgãos de segurança internacionais, como o FBI e a Interpol.
Outro ponto citado pelas autoridades envolve contatos do banqueiro com dois funcionários do Banco Central, que teriam atuado como intermediários e conselheiros dentro da autoridade monetária.


