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Criação do Ministério da Segurança Pública em 2026 divide o governo Lula

Discussão sobre nova pasta ainda em 2026 gera resistências internas e preocupação com desgaste político em ano eleitoral

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

247 - A eventual criação de um Ministério da Segurança Pública ainda em 2026 tem provocado divisões internas no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e entre aliados próximos ao Planalto. A possibilidade ganhou força diante da saída do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, anunciada para esta sexta-feira (9), mas enfrenta resistências quanto ao momento político e à viabilidade administrativa da proposta. As informações são da CNN Brasil.

O debate dentro do governo já não gira em torno da necessidade de uma pasta exclusiva para a segurança pública — tema apontado como a maior preocupação da população —, mas sobre a conveniência de criar o ministério no fim do mandato presidencial.

Um dos principais argumentos contrários à criação imediata da nova pasta é o risco de a medida ser explorada pela oposição como uma ação de caráter eleitoral. Integrantes do governo avaliam que a iniciativa poderia ser apresentada como eleitoreira, especialmente diante da proximidade do pleito e do pouco tempo disponível para apresentar resultados concretos.

Interlocutores também apontam dificuldades práticas para um eventual novo ministro conseguir fazer entregas relevantes em poucos meses de gestão, agravadas pelas limitações orçamentárias. A restrição de recursos, inclusive, foi mencionada por Lewandowski em sua carta de despedida. Ao deixar o cargo, o ministro afirmou agir por “razões pessoais e familiares”.

Há ainda um grupo no entorno de Lula que defende o adiamento da criação do Ministério da Segurança Pública para um eventual segundo mandato. Segundo essa avaliação, a postergação permitiria um redesenho mais amplo do Ministério da Justiça, que poderia passar a abrigar, na forma de secretarias, áreas atualmente estruturadas como ministérios, como Povos Indígenas, Direitos Humanos e Igualdade Racial.

A criação de uma pasta exclusiva para a segurança pública foi promessa de campanha de Lula em 2022. No entanto, ainda durante a transição de governo, o presidente decidiu manter a área vinculada ao Ministério da Justiça ao nomear Flávio Dino para o comando da pasta. Dino deixou o cargo em fevereiro de 2024, ao assumir uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Desde então, a segurança pública passou a ser vista dentro do Palácio do Planalto como um dos pontos mais sensíveis da atual gestão. Tentativas de reverter o desgaste com pautas positivas não avançaram como esperado. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, considerada a principal aposta da gestão Lewandowski, permanece travada na Câmara dos Deputados após alterações promovidas pelo relator Mendonça Filho (União-PE), o que empurrou a análise para depois do recesso parlamentar.

Outro projeto que enfrentou resistência foi o chamado PL Antifacção, apresentado após uma megaoperação contra o crime organizado no Rio de Janeiro que resultou em 117 mortes. O texto aprovado na Câmara foi significativamente modificado pelo relator Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário de Segurança Pública do governo Tarcísio de Freitas. No Senado, sob relatoria de Alessandro Vieira (MDB-SE), o governo conseguiu ajustar parte do conteúdo para viabilizar o que passou a ser chamado internamente de “texto possível”, ainda distante da versão ideal defendida pelo Planalto.

A troca no comando do Ministério da Justiça também é citada como um fator que pesou negativamente. Com a saída de Flávio Dino, conhecido por um perfil mais combativo, e a entrada de Lewandowski, ex-ministro do STF de postura mais institucional, auxiliares relatam que a pasta perdeu força política. Nos bastidores, há quem diga que o cargo se tornou desconfortável e que o Ministério da Justiça passou a funcionar como uma “grande delegacia de polícia”.

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