'Crise na campanha de Flávio é muito maior do que a família Bolsonaro imaginava', diz secretário do PT
Crise na campanha de Flávio se intensifica após revelações sobre Banco Master e relação com Daniel Vorcaro, afirma Éden Valadares
247 - A pressão política sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aumentou após a divulgação de sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, segundo avaliação do secretário Nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, que afirmou que o episódio atingiu a imagem do candidato do PL e abalou apoios políticos, partidários e de setores do mercado.
O dirigente petista afirmou nesta terça-feira (26) que a crise enfrentada por Flávio Bolsonaro teria alcançado proporções maiores do que as previstas pelo clã. Para Éden, as revelações sobre a proximidade entre o senador e Vorcaro, apontado como responsável pelo maior crime financeiro da história do Brasil, passaram a comprometer diretamente a narrativa eleitoral bolsonarista.
“A esperança já venceu o medo. A democracia já venceu o golpe. E chegou a hora da verdade vencer a mentira. A crise na campanha de Flávio vai se confirmando muito maior do que a família Bolsonaro imaginava. O avanço das investigações do escândalo do Banco Master, as revelações sobre a relação de intimidade entre Flávio e Daniel Vorcaro e as suspeitas que surgiram sobre a origem e o real destino dos milhões de reais envolvidos nesse caso derrubam a estratégia bolsonarista segundo a qual as eleições no Brasil podem ser manipuladas pela rejeição, pelo ódio e por falsas narrativas repetidas infinitamente”, afirmou Éden.
Pesquisas indicariam perda de apoio, diz dirigente
De acordo com o secretário do PT, a avaliação não se trata apenas de uma leitura política interna do partido, mas de um movimento que já teria sido registrado por levantamentos eleitorais. Ele citou pesquisas da AtlasIntel e do Datafolha para sustentar que grupos antes considerados mais resistentes à perda de apoio começaram a se afastar da candidatura de Flávio Bolsonaro.
“AtlasIntel e Datafolha captaram que segmentos antes tidos como imutáveis começaram a abandonar o candidato bolsonarista a cada nova revelação. Entre evangélicos, a intenção de votos de Flávio Bolsonaro caiu de 49% para 42%. Entre jovens adultos de 25 a 34 anos, perdeu 11 pontos. Na região sul do Brasil despencou de 48% para 35%. E entre bolsonaristas moderados, caiu de 53% para 40%. Tudo isso em apenas uma semana”, declarou.
Éden também atribuiu parte do desgaste à tentativa de Flávio Bolsonaro de se desvincular do caso. Na avaliação do petista, as explicações dadas pelo candidato agravaram a percepção negativa em torno de sua imagem pública e reforçaram a associação do episódio com outras controvérsias políticas já mencionadas contra ele.
“Ao insistir na mentira e em dar desculpas esfarrapadas, o filho de Bolsonaro trata o eleitor e a eleitora brasileira como massa de manobra, como sujeitos facilmente manipulados por algoritmos e disparos de Fake News. Mas o povo não é gado e vai percebendo quem é, de verdade, Flávio Bolsonaro. O temor que a sociedade brasileira tinha sobre ele pela trajetória de envolvimento com denúncias de rachadinha no seu gabinete, milícias do Rio de Janeiro, loja de chocolate e compra de mansão em Brasília se cristalizou a partir dos áudios e do inquérito da PF”, disse.
Petista afirma que crise atingiu credibilidade
O secretário Nacional de Comunicação do PT sustentou ainda que as suspeitas em torno de Flávio Bolsonaro teriam deixado de ser apenas objeto de disputa narrativa. Segundo Éden, os novos elementos ligados ao caso teriam alterado a percepção pública sobre o candidato bolsonarista.
“O que era suspeita, se confirmou como evidência. O que era dúvida, deu lugar à comprovação. E o que era desconfiança, virou rejeição”, afirmou.
Na conclusão de sua avaliação, Éden afirmou que a credibilidade de Flávio Bolsonaro se enfraquece à medida que novos fatos são apresentados ao país. Para o dirigente petista, a disputa de 2026 tende a ser marcada por um confronto entre verdade e mentira, em referência ao impacto político das revelações sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro.
“A credibilidade do candidato bolsonarista vai acabando à medida em que são apresentados ao Brasil fatos reais sobre sua vida, sobre quem ele é e sobre o quanto ainda é capaz de mentir. Se em 2002 a esperança ganhou do medo, se em 2022 a democracia derrotou o golpe, agora em 2026 é a vez da verdade vencer a mentira”, concluiu.



