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Crise no bolsonarismo e avanço de Zema ameaçam Flávio Bolsonaro

Racha na direita conservadora e crescimento político de Zema aumentam desafios para Flávio Bolsonaro em meio à disputa por liderança no campo bolsonarista

Senador Flávio Bolsonaro 15/01/2026 REUTERS/Adriano Machado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - A fragmentação do campo bolsonarista ganhou novos contornos nos últimos dias, evidenciando disputas internas e o fortalecimento de lideranças alternativas dentro da direita. O rompimento público do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) com figuras do núcleo ideológico, como Eduardo Bolsonaro (PL), Allan dos Santos, Kim Paim e Paulo Figueiredo, além de críticas direcionadas a Jair Renan Bolsonaro (PL-SC), tornou visível um processo de desgaste que já vinha sendo observado. Nesse cenário, o senador Flávio Bolsonaro (PL) tenta manter equilíbrio, mas enfrenta resistências dentro do próprio grupo, segundo a Folha de São Paulo.

O episódio mais recente é interpretado como parte de uma reconfiguração política em curso há meses, marcada por tensões entre alas ideológicas e quadros políticos do bolsonarismo. Desde o início de 2025, o crescimento de Nikolas Ferreira como liderança com base própria tem gerado atritos, enquanto a atuação de Eduardo Bolsonaro no exterior contribuiu para ampliar o distanciamento interno. Paralelamente, disputas regionais, como a concorrência entre Carlos Bolsonaro e Carol De Toni (PL-SC) por uma vaga no Senado em Santa Catarina, com críticas públicas de Ana Campagnolo à família Bolsonaro, reforçam a perda de coesão do grupo.

A ascensão de outros nomes também contribui para o enfraquecimento da unidade bolsonarista. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), passou a ser visto como possível candidato com estratégia própria, enquanto episódios envolvendo aliados próximos à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro indicam que parte da base já atua de forma independente do clã. Esse conjunto de movimentos aponta que o bolsonarismo deixou de funcionar como um bloco homogêneo.

Dados de monitoramento de mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp, conduzido pela Palver, mostram que essa divisão já repercute intensamente entre apoiadores. Flávio Bolsonaro aparece com avaliação dividida, registrando 50% de aprovação e 50% de rejeição nas mensagens analisadas. O equilíbrio sugere um limite implícito: ataques diretos ao senador são vistos como quebra de lealdade dentro do campo conservador, o que ajuda a explicar a cautela de lideranças em criticá-lo abertamente.

Já Nikolas Ferreira enfrenta cenário mais adverso, com mais de 68% de rejeição nas mensagens — índice que, segundo o levantamento, tem origem majoritária na própria direita bolsonarista. As críticas refletem o racha interno. Em uma das mensagens compartilhadas em diversos grupos, lê-se: "Nikolas não compartilha, não menciona nada do Flávio. Flávio chegou à liderança sozinho, sem a ajuda do Nikolas. Nikolas está sendo cobrado justamente por isso". Outra mensagem reforça a percepção de conflito: "Nikolas está impulsionando todos que odeiam o Flávio".

Enquanto isso, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), surge como alternativa em ascensão. Ele registra 53% de aprovação nas mensagens monitoradas, o melhor desempenho entre nomes do campo conservador. Além disso, o volume de menções ao governador cresce e se aproxima do registrado por Flávio Bolsonaro. Até recentemente visto como liderança regional, Zema passou a ganhar projeção nacional, impulsionado por ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Entre apoiadores, essa mudança de percepção já se traduz em comparações diretas. Uma das mensagens destaca: "Se fosse o Zema no 2º turno já estaria na frente do Lula". Outra aponta uma lacuna na atuação do senador: "O cara pelo menos tem um projeto, até hoje não vi um projeto do Flávio".

O avanço de Zema abre espaço para que setores dissidentes do bolsonarismo testem novos caminhos políticos sem romper formalmente com a família Bolsonaro. Apoios pontuais ao governador permitem avaliar a viabilidade de uma direita conservadora menos dependente do sobrenome Bolsonaro, ao mesmo tempo em que evitam confronto direto com a base tradicional.

No entanto, esse movimento exige cautela. Lideranças do núcleo ideológico mantêm forte influência sobre a base e tendem a reagir a qualquer tentativa de afastamento mais explícito. A poucos meses das eleições, um rompimento aberto pode aprofundar divisões internas e favorecer adversários, especialmente diante de um cenário em que o campo governista apresenta maior coesão política.

Nesse contexto, a dificuldade de Flávio Bolsonaro em consolidar apoio dentro do próprio grupo surge como um dos principais obstáculos para sua projeção eleitoral. A incapacidade de mobilizar integralmente sua base pode comprometer a formação de uma militância robusta, elemento considerado decisivo em disputas eleitorais acirradas.

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