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CVM apura desde 2022 operações da Reag com títulos do antigo Besc

Processos sancionadores envolvem fundos ligados ao Banco Master e apurações sobre irregularidades, omissões ao mercado e falhas de controle

Reag Investimentos (Foto: Divulgação)

247 - A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) mantém, desde 2022, investigações formais sobre a Reag, gestora e administradora de fundos que passou a operar sob o nome CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM). Ao todo, são três processos sancionadores que tratam de suspeitas de irregularidades envolvendo a compra de títulos do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), falhas de divulgação de informações ao mercado e deficiências em controles internos.

Um dos processos foi instaurado em 2022 e envolve a aquisição, por meio de cinco fundos, de títulos do antigo Besc. A CVM aponta possíveis irregularidades nessas operações e inclui a Reag e outros seis réus no caso. Os autos correm sob sigilo, e os detalhes não são públicos. A movimentação mais recente registrada indica que, em novembro de 2025, foi definido o relator responsável pelo processo.

A gestora teve a liquidação decretada pelo Banco Central em 15 de janeiro, no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master. De acordo com a autoridade monetária, foram identificadas operações consideradas atípicas e sem fundamentação econômica realizadas entre 2023 e 2024 em fundos administrados pela Reag. Em comunicado oficial, o Banco Central afirmou que a liquidação “foi motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional”.

A Reag também foi alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, que apurou o uso de fundos de investimento para a lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado. As investigações identificaram a compra de certificados de ações do Besc, conhecidos como “cártulas”, por gestores de fundos associados ao Banco Master, com o objetivo de inflar artificialmente o patrimônio dos fundos e realocar recursos para outros veículos sob administração da Reag.

Um segundo processo, aberto em 2024, trata da acusação de que a gestora deixou de divulgar informações relevantes ao mercado após um fundo sob sua administração adquirir participação considerada relevante na empresa GetNinjas. Em maio de 2025, a Reag apresentou proposta de acordo à CVM, oferecendo o pagamento de R$ 300 mil para encerrar o caso. A proposta, no entanto, foi rejeitada em agosto do mesmo ano pelo colegiado da autarquia, em consonância com a avaliação de seu comitê especializado. O processo segue para julgamento, ainda sem data definida.

O terceiro procedimento foi instaurado em 2023 contra a Reag DTVM, o diretor Silvio Gersztel e a empresa MDL Trust Serviços Fiduciários. Eles foram acusados de descumprimento da obrigação de manter controles internos adequados, além da repetição sistemática dessa falha. Em 2024, a Reag e Gersztel firmaram acordos com a CVM, nos valores de R$ 360 mil e R$ 180 mil, respectivamente, que foram aceitos pelo colegiado e resultaram no encerramento das acusações contra ambos. Já a MDL Trust foi julgada em abril de 2025 e condenada ao pagamento de multa de R$ 255 mil.

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