Daniel Vorcaro voltará a depor à Polícia Federal em janeiro
Dono do Banco Master foi intimado no inquérito sobre tentativa de venda ao BRB e poderá depor presencialmente ou por videoconferência
247 - O empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, foi novamente intimado a prestar depoimento à Polícia Federal no âmbito das investigações que apuram irregularidades na tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). A oitiva está prevista para terça-feira (27) e deve se concentrar no esclarecimento de contradições apontadas pelos investigadores em depoimentos anteriores.
Ainda não há definição se o interrogatório ocorrerá na sede da Polícia Federal ou no Supremo Tribunal Federal (STF), como aconteceu nas oitivas realizadas no fim de dezembro. Vorcaro poderá escolher entre participar presencialmente ou por videoconferência, opção franqueada pela PF, assim como ocorreu no mês passado.
A expectativa de investigadores é que o novo depoimento seja mais rigoroso, com perguntas voltadas a esclarecer divergências identificadas durante a acareação realizada no recesso judiciário entre Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. As respostas dadas naquela ocasião serviram de base para o aprofundamento do inquérito contra o dono do Banco Master.
Desde que teve a prisão preventiva revogada, na sexta-feira (28 de novembro), Vorcaro passou a usar tornozeleira eletrônica e precisa de autorização judicial para se deslocar. Atualmente, o empresário mora em São Paulo. Em dezembro, ele solicitou autorização ao ministro Dias Toffoli, do STF, para prestar depoimento presencialmente em Brasília.
Além de Vorcaro, a Polícia Federal também marcou depoimentos de outros ex-executivos ligados ao Banco Master. Entre o fim de janeiro e o início de fevereiro, devem ser ouvidos o ex-sócio Augusto Lima, o ex-diretor de riscos Luiz Antônio Bull e o também ex-sócio Ângelo Antônio Ribeiro da Silva. O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e outros ex-integrantes do banco estatal do Distrito Federal também prestarão esclarecimentos. Para Costa, será o segundo depoimento à PF.
As oitivas terão como foco central as suspeitas em torno da venda de R$ 12,2 bilhões em créditos considerados inexistentes pelos investigadores. Segundo a apuração, o Banco Master teria negociado com o BRB R$ 6,7 bilhões em contratos falsos de crédito consignado, além de R$ 5,5 bilhões em valores classificados como prêmios e bônus, atribuídos à suposta valorização das carteiras.
O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, responsável pela supervisão das instituições financeiras, já prestou depoimento no inquérito, mas não participou da acareação entre Vorcaro e Costa.
No primeiro interrogatório, Vorcaro respondeu a perguntas formuladas pela delegada da Polícia Federal Janaina Palazzo, por integrantes do Ministério Público Federal e também a questionamentos elaborados pelo gabinete do ministro Dias Toffoli. Ao todo, foram ao menos 80 perguntas em um depoimento que durou quase três horas.
O processo corre sob sigilo. Desde o início de dezembro, todas as diligências e medidas relacionadas à investigação envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro precisam do aval do ministro Dias Toffoli, por decisão do próprio magistrado.
As investigações culminaram na liquidação do Banco Master, decretada na segunda-feira (18 de novembro), após a revelação das irregularidades apuradas pelas autoridades.



