Datafolha: 59% dos brasileiros não souberam que Senado rejeitou indicado de Lula ao STF
O levantamento mostra que apenas 41% afirmaram ter acompanhado o episódio
247 - Uma pesquisa do instituto Datafolha revelou que a maioria da população brasileira não tomou conhecimento da rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo dados divulgados pela Folha de S.Paulo, 59% dos entrevistados disseram desconhecer que o Senado Federal barrou o indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a vaga aberta na Corte.
O levantamento mostra que apenas 41% afirmaram ter acompanhado o episódio político. Entre esses, 19% disseram estar bem informados sobre o caso, 18% declararam estar “mais ou menos informados” e 4% admitiram ter poucas informações sobre a rejeição de Messias.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios brasileiros nos dias 12 e 13 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00290/2026.
Entre os entrevistados que disseram ter acompanhado o episódio, 53% avaliaram que a derrota de Jorge Messias enfraqueceu o governo federal. Outros 36% afirmaram que a rejeição não alterou a força política da gestão Lula, enquanto 7% consideraram que o episódio fortaleceu o governo. Nesse grupo específico, a margem de erro é de três pontos percentuais.
O levantamento também identificou diferenças entre segmentos do eleitorado. Entre os eleitores de Lula, 61% disseram não ter tomado conhecimento da rejeição do indicado ao STF. Já entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, esse índice caiu para 50%. Entre os que pretendem votar em branco, nulo ou em nenhum candidato nas eleições deste ano, o percentual de desconhecimento chegou a 72%.
Apesar de a indicação de Jorge Messias ter sido interpretada nos bastidores políticos como um gesto ao eleitorado evangélico, o nível de desconhecimento do episódio nesse segmento foi idêntico ao da população em geral: 59% afirmaram não ter sabido da rejeição no Senado.
A derrota de Messias marcou um episódio raro na história política brasileira. Foi a primeira vez desde 1894 que o Senado rejeitou a indicação de um presidente da República ao STF. Na ocasião, durante o governo de Floriano Peixoto, cinco nomes indicados ao tribunal foram barrados pelos senadores.
No caso de Jorge Messias, 42 parlamentares votaram contra sua indicação, enquanto 34 apoiaram o nome escolhido por Lula. Para ser aprovado, ele precisava obter ao menos 41 votos favoráveis.
Mesmo após a derrota, Lula afirmou a aliados que pretende reenviar o nome de Jorge Messias para a vaga no Supremo, numa tentativa de reafirmar a prerrogativa presidencial de indicar ministros para a Corte. A possibilidade, no entanto, enfrenta obstáculos políticos e regimentais.
Uma norma interna do Senado, aprovada em 2010, impede que a mesma indicação seja reapresentada ainda neste ano legislativo. Além disso, existe a possibilidade de o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), retardar a tramitação de uma nova indicação ao STF, mesmo que Lula escolha outro nome.
Segundo informações de bastidores, Alcolumbre apoiava outro candidato para a vaga e teve papel relevante na articulação que levou à rejeição de Messias. O episódio também ocorreu em meio ao fortalecimento de setores ligados ao bolsonarismo, que transformaram as críticas ao STF em uma de suas principais bandeiras políticas.
Durante a sabatina de Jorge Messias, o senador Sergio Moro (PL-PR) defendeu que a cadeira deixada por Luís Roberto Barroso só seja preenchida pelo próximo presidente da República, eleito em 2026. Em resposta, o senador Rogério Carvalho (PT-SE) criticou duramente essa posição, afirmando que ela representaria um “esvaziamento” das atribuições constitucionais do presidente da República e fazendo referência aos atos golpistas de 8 de janeiro.



