Datafolha aponta empate entre Haddad e Flávio Bolsonaro em 2º turno sem Lula
Ministro da Fazenda ainda conta com rejeição significativamente menor que as de Lula e Flávio Bolsonaro
247 - Pesquisa do instituto Datafolha divulgada neste sábado (7) aponta que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), aparece tecnicamente empatado com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno das eleições presidenciais. No cenário testado, o parlamentar teria 43% das intenções de voto, enquanto Haddad alcançaria 41%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o que configura uma disputa equilibrada entre os dois.
De acordo com o levantamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresenta vantagem numérica sobre Flávio Bolsonaro, com 46% das intenções de voto contra 43% do senador em eventual segundo turno. A pesquisa foi realizada entre os dias 3 e 5 deste mês e entrevistou 2.004 eleitores em 137 municípios. O estudo está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-03715/2026.
A diferença de desempenho entre Lula e Haddad pode estar relacionada ao nível de conhecimento do eleitorado sobre cada nome. Segundo o Datafolha, praticamente todos os eleitores afirmam conhecer Lula, enquanto 86% dizem saber quem é Haddad. Esse fator pode influenciar o desempenho do ministro nas simulações eleitorais.
No cenário de primeiro turno sem Lula, os números indicam liderança de Flávio Bolsonaro, com 33% das intenções de voto. Haddad aparece com 21%, seguido pelo governador do Paraná, Ratinho Jr., com 11%. Na sequência estão o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, com 5%, Renan Santos, com 4%, e Aldo Rebelo, com 2%.
Segundo Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, os resultados da pesquisa se aproximam de levantamentos internos que já circulam entre dirigentes do PT e integrantes do Palácio do Planalto. A competitividade de Haddad em um eventual cenário presidencial tem levado lideranças da legenda a considerarem seu nome como uma alternativa caso Lula decida não disputar a reeleição.
Dentro do partido, no entanto, o tema ainda é tratado com cautela. Segundo um dirigente, a possibilidade é discutida de forma reservada e com discrição. Ele relatou que integrantes da legenda “falam baixo” sobre o assunto e evitam levar a ideia diretamente a Haddad, que, segundo essa avaliação, rejeitaria a hipótese imediatamente.
O próprio Lula tem reiterado publicamente a intenção de disputar um novo mandato. O presidente já declarou que pretende buscar a reeleição e tem demonstrado disposição para enfrentar a disputa eleitoral, defendendo inclusive a possibilidade de Haddad concorrer ao governo de São Paulo.
Apesar disso, Lula já mencionou em algumas ocasiões que sua decisão final dependerá das condições de saúde, que atualmente considera boas. Em outros momentos, também demonstrou incômodo com o atual ambiente político e com limitações que, segundo ele, hoje seriam maiores para o exercício da Presidência do que em seus dois mandatos anteriores.
Essas declarações acabam abrindo espaço para discussões internas sobre possíveis cenários alternativos, embora a candidatura de Lula continue sendo considerada, dentro do PT, a opção mais forte para uma disputa presidencial. Outro fator observado nas simulações do Datafolha é o índice de rejeição dos candidatos: Lula registra 46%, enquanto Haddad aparece com 27%, um patamar significativamente menor.

