Defesa de Henrique Vorcaro fala em assédio de família de Sicário e rejeita elo com serviços ilícitos
Advogados afirmam que Henrique Vorcaro e seus associados são procurados pela família de Luiz Phillipi Mourão para quitar dívidas
247 - A defesa de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, afirmou que familiares de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, vêm pressionando sua família para cobrar valores relacionados a contratos e dívidas, sem qualquer vínculo com atividades ilícitas. As informações constam em petição encaminhada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), na quinta-feira (18), segundo o jornal Folha de São Paulo.
Os advogados Eugênio Pacelli, Frederico Horta e Sérgio Quintão sustentam que Henrique Vorcaro e pessoas ligadas a ele passaram a ser procurados por parentes de Mourão para antecipação de créditos e quitação de valores supostamente devidos. A defesa afirma que não houve qualquer tentativa de silenciar os familiares de Sicário.
Morte e pressão familiar
O documento enviado ao STF relata que Joana Mourão, irmã de Luiz Phillipi Mourão, teria intensificado os contatos após a morte do irmão, ocorrida em 4 de março, na cela da Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais. Mourão havia sido preso em uma das fases da Operação Compliance Zero.
Os advogados mencionam mensagens apreendidas pela Polícia Federal nas quais Joana afirma possuir "material para acabar com a família inteira" e faz referência à proposta de colaboração premiada apresentada por Daniel Vorcaro às autoridades. Para a defesa, os contatos e mensagens revelam uma situação de cobrança de supostos créditos e não uma tentativa de denúncia de práticas ilegais.
"Na pior das hipóteses (ou na pior das interpretações), o conteúdo das mensagens e os registros de curtos ou frustrados telefonemas revelam um tipo de assédio muito comum às famílias dos presos, por seus eventuais —e por vezes temerários— credores", afirmaram os advogados na petição.
A defesa também relatou um contato registrado por Thiago Assumpção, advogado e sócio de Henrique Vorcaro. Segundo o documento, ele recebeu em 8 de junho uma mensagem enviada de um telefone associado a Mourão. A pessoa que fez o contato não se identificou, mas solicitou uma reunião para "resolver todos esses contratos".
No pedido encaminhado ao ministro André Mendonça, os advogados requerem que Joana Mourão seja ouvida formalmente no processo. Segundo eles, a medida permitiria que ela apresentasse sua versão dos fatos e os documentos que considerar pertinentes. "Ao contrário da alegada tentativa de silenciamento, é de total interesse que Joana seja ouvida nos autos", afirmaram.
Contratos e negócio imobiliário
As investigações da Polícia Federal apontam que Luiz Phillipi Mourão integraria um grupo denominado "A Turma", que atuaria em favor de Daniel Vorcaro para intimidar adversários. A defesa de Henrique Vorcaro rejeita essa versão e afirma que os pagamentos identificados pelas autoridades estavam relacionados a contratos legítimos.
De acordo com a petição, os valores cobrados pela família de Mourão estariam ligados a serviços de segurança realizados em um terreno e à intermediação na aquisição de um empreendimento imobiliário localizado no bairro Campo Grande, na zona oeste do Rio de Janeiro.
Os advogados afirmam que os diálogos mencionados pela Polícia Federal sobre parcelas de R$ 200 mil e cobranças de R$ 400 mil correspondem a obrigações decorrentes desse negócio imobiliário. Segundo a defesa, a relação foi formalizada por contrato de parceria em investimento imobiliário firmado no fim de 2025.
"Tal ilação, que ensejou sua prisão preventiva, desconsiderou o verdadeiro contexto das mensagens suspeitas e, portanto, seu verdadeiro sentido: a cobrança de valores que seriam devidos à empresa de Mourão, a título de antecipação da sua participação na receita do empreendimento em Campo Grande", diz o documento.
Registros bancários e contestação da prisão
A petição sustenta ainda que todas as movimentações financeiras possuem respaldo contratual e podem ser verificadas por meio de registros bancários. Segundo os advogados, essas informações já foram apresentadas integralmente à Procuradoria-Geral da República (PGR).
A defesa também contesta a fundamentação da prisão de Henrique Vorcaro, alegando que houve interpretação parcial dos elementos reunidos pela Polícia Federal. Por isso, pede a revogação da medida ou sua substituição por outra cautelar menos severa.
"Não é a primeira vez que este douto relator é induzido a erro pela autoridade policial, por obra do descuido e descompromisso com a verdade que busca apurar, lançando mão de omissões, subterfúgios e preferência deliberada de significados extraídos do conjunto de elementos à sua disposição", afirmaram os advogados.
O relatório da Polícia Federal citado na investigação aponta que Henrique Vorcaro teria repassado mensalmente R$ 400 mil ao agente aposentado Marilson Roseno da Silva para obter informações sobre apurações sigilosas. Segundo os investigadores, Roseno seria responsável por estruturar um esquema interno de vazamento de informações.



