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Desenrola 2 anima 68% dos endividados, diz Datafolha

Pesquisa mostra que 82% dos endividados veem impacto positivo do Desenrola 2 na economia

04.05.2026 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante assinatura da Medida Provisória referente ao Novo Desenrola Brasil, no Palácio do Planalto. Brasília - DF. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
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247 - A segunda edição do Desenrola 2, programa do governo Lula com impacto social, é vista como uma possibilidade de alívio financeiro por 68% dos brasileiros endividados, enquanto 82% desse grupo avaliam que o programa terá impacto positivo na economia. 

O levantamento Datafolha ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios do país entre os dias 12 e 13 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos quando considerada a amostra total. A informação é da Folha de S.Paulo.

Entre os brasileiros que não estão endividados, o levantamento também mostra percepção favorável em relação ao programa. Nesse grupo, 39% afirmam acreditar que o Desenrola 2 trará benefícios para suas finanças pessoais, e 73% veem efeitos positivos para a economia de modo geral. Esses percentuais também ficam acima dos 30% que avaliam o governo como ótimo ou bom e dos 45% que aprovam o trabalho de Lula.

O Datafolha aponta que o otimismo em relação ao programa é mais elevado entre jovens, moradores do Nordeste e eleitores do presidente Lula. A segunda edição do Desenrola foi lançada em 4 de maio e tem duração prevista de 90 dias.

Programa já renegociou R$ 10 bilhões em dívidas

Segundo as informações divulgadas, o Desenrola 2 já renegociou R$ 10 bilhões em dívidas bancárias. O programa integra um conjunto de medidas do governo Lula em ano eleitoral e busca ampliar o acesso à renegociação de débitos.

Para oferecer segurança aos bancos em caso de inadimplência nas dívidas renegociadas, o governo anunciou aporte de até R$ 15 bilhões no Fundo de Garantia de Operações, administrado pelo Banco do Brasil. Também foi autorizado o uso de até R$ 8,2 bilhões do FGTS pelos devedores.

A nova versão do Desenrola prevê descontos de até 90% e juros limitados a 1,99% ao mês. O programa, no entanto, levou alguns dias para ganhar ritmo, porque parte dos bancos aguardava a conclusão de trâmites relacionados às garantias do fundo contra calotes e também havia restrições para quem optava por parcelar a dívida. Algumas instituições financeiras chegaram a oferecer apenas pré-cadastros no início.

O Desenrola 2 pode ser usado por pessoas com renda de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105 mensais. O uso do FGTS para renegociação, por sua vez, só estará disponível a partir do dia 25, cerca de 20 dias depois do lançamento do programa.

Pelas regras citadas, trabalhadores poderão utilizar até 20% do saldo disponível na conta do FGTS ou até R$ 1.000, prevalecendo o maior valor, para pagamento parcial ou integral de dívidas bancárias renegociadas.

Maioria conhece o Desenrola 2

A pesquisa mostra que 62% dos brasileiros tomaram conhecimento do programa. Considerando endividados e não endividados, 77% dizem estar otimistas com os efeitos do Desenrola 2 sobre a economia.

Desse total, 49% afirmam acreditar que a atividade econômica será muito beneficiada, enquanto 28% avaliam que haverá algum benefício. Outros 17% dizem que a economia não será beneficiada, e 5% não souberam responder.

Quando o foco é o impacto direto no bolso, 53% dos entrevistados dizem acreditar que sentirão efeitos positivos do programa. Dentro desse grupo, 34% afirmam que serão muito beneficiados, e 19% esperam algum benefício. Por outro lado, 40% dos brasileiros afirmam que não terão ganho pessoal com a iniciativa.

O Datafolha também avaliou a percepção sobre os efeitos do Desenrola 2 para familiares dos entrevistados. Nesse recorte, 33% acreditam que seus familiares serão muito beneficiados, 20% avaliam que serão um pouco beneficiados, 41% dizem que não haverá benefício e 6% não souberam responder.

Eleitores de Lula demonstram maior expectativa

O levantamento indica que o componente político influencia a avaliação sobre o Desenrola 2. Entre os entrevistados que declaram voto em Lula, 64% dizem acreditar que serão beneficiados pelo programa.

Entre eleitores de Flávio Bolsonaro, o percentual é de 44%. No Nordeste, região em que Lula apresenta desempenho melhor nas pesquisas citadas pelo levantamento, 62% afirmam esperar benefício pessoal com a segunda edição do Desenrola.

Jovens são os mais otimistas

A expectativa de melhora nas finanças pessoais é maior entre os jovens. Na faixa de 25 a 34 anos, 60% dizem acreditar que o Desenrola 2 será benéfico. Entre os entrevistados com mais de 60 anos, esse percentual cai para 42%.

O otimismo também é mais intenso entre brasileiros com renda de até dois salários mínimos. Nesse grupo, 61% afirmam que serão muito ou um pouco beneficiados pelo programa.

O redesenho do Desenrola ocorre em um contexto de forte pressão sobre o orçamento das famílias. Segundo o Datafolha, 47% dos entrevistados possuem dívidas, incluindo empréstimos com bancos e financeiras, faturas de cartão de crédito, uso do limite do cheque especial e financiamentos.

Endividamento é maior entre jovens e moradores de metrópoles

O percentual de endividados é mais elevado entre pessoas de 25 a 34 anos, chegando a 56%. O índice também é maior entre moradores de regiões metropolitanas, com 52%, e entre evangélicos, com 50%.

Entre os brasileiros que admitem estar endividados, 62% relatam que os compromissos financeiros já se transformaram em inadimplência, com parcelas e contas atrasadas.

Dados do Banco Central citados no levantamento mostram que o endividamento das famílias brasileiras em relação à renda chegou a 49,9% em fevereiro, o maior nível da série iniciada em janeiro de 2005. A inadimplência dos consumidores estava em 5,3% em março, segundo a autoridade monetária.

O país tem 83,3 milhões de pessoas com o nome negativado, de acordo com dados de abril da Serasa. O número inclui dívidas bancárias e não bancárias.

Por segmento, as principais dívidas em atraso são com bancos, que representam 27,4% do total. Em seguida aparecem contas de água, luz e gás, com 20,9%, financeiras, com 19,8%, e serviços, com 11,6%.

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