Durigan defende direito de Jaques Wagner se explicar após operação da PF sobre Master
Ministro da Fazenda afirma confiar no senador e diz que investigações reforçam necessidade de aprimorar a supervisão do sistema bancário
247 - O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (18) que o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, deve ter a oportunidade de apresentar esclarecimentos sobre as acusações investigadas pela Polícia Federal na 9ª fase da Operação Compliance Zero. As declarações foram dadas em entrevista ao programa Acorda, Metrópoles.
Jaques Wagner está entre os alvos da nova etapa da operação, que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo agentes públicos e instituições financeiras. Ao comentar o caso, Durigan evitou antecipar julgamentos e destacou a necessidade de garantir ao parlamentar o direito à defesa.
“Eu confio e gosto muito do Jaques Wagner. Acho que ele tem que ter a oportunidade de se explicar e de se defender. E eu confio que ele vai fazer isso”, declarou o ministro.
Durigan também afirmou que não possui relação com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, instituição que aparece no centro das investigações. Segundo ele, não há conhecimento aprofundado sobre os fatos apurados pela Polícia Federal.
“Eu nunca tive com o Daniel Vorcaro. Fernando Haddad, inclusive, disse publicamente que se o Daniel Vorcaro procurou ele e a equipe, e isso me incluindo, ele procurou a pessoa errada. Então, eu não tenho profundo conhecimento de nada que está acontecendo”, afirmou.
O ministro reforçou sua confiança de que o líder governista prestará os esclarecimentos necessários às autoridades competentes.
“Eu estou muito tranquilo com isso e acho que o senador Jaques Wagner vai prestar os esclarecimentos para a Justiça”, acrescentou.
As declarações de Durigan representam a primeira manifestação pública de um integrante do governo federal sobre a operação que atingiu o senador petista.
Caso Banco Master e supervisão bancária
Durante a entrevista, o ministro também avaliou que o episódio envolvendo o Banco Master deve servir de reflexão sobre os mecanismos de fiscalização do sistema financeiro brasileiro. Para ele, os fatos investigados evidenciam a necessidade de aperfeiçoar os instrumentos de supervisão das instituições bancárias.
“Todas as aquisições que foram feitas, a expansão do negócio (do Master), a aquisição de carteiras, ocorreu de 2019 a 2024, durante a gestão do ex-presidente do Banco Central. Inclusive, com ex-diretores do banco presos, alvos de mandados da Justiça. Isso mostra que a gente tem que melhorar a supervisão bancária, inclusive, não somente com o Banco Central, mas com outras instituições”, ressaltou.
O que investiga a Operação Compliance Zero
A 9ª fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada pela Polícia Federal para apurar suspeitas de participação de agentes públicos em irregularidades relacionadas ao setor financeiro. Além de Jaques Wagner, os investigadores também têm como alvo o banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e proprietário do Banco Pleno, instituição que foi liquidada pelo Banco Central.
Ao todo, estão sendo cumpridos 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em São Paulo e na Bahia. As medidas foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).



