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Edinho Silva defende reforma do Judiciário e diz que modelo político está falido

Presidente do PT propõe mudanças institucionais para fortalecer democracia brasileira

Edinho Silva (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

247 - O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que o Judiciário brasileiro precisa passar por reformas estruturais e declarou que o atual modelo político eleitoral está esgotado e não atende mais às demandas da sociedade. As declarações foram feitas durante um evento do Esfera Brasil em São Paulo, que reuniu lideranças políticas e empresariais para discutir o cenário institucional do país. O encontro contou também com a presença de Gilberto Kassab, presidente do PSD.

Durante sua fala, Edinho destacou a importância de fortalecer as instituições, evitando personalizações nos debates políticos. “Fulanizar é muito fácil. As pessoas são falíveis. O importante é você ter instituições fortes”, afirmou. Ele defendeu a necessidade de discutir mudanças no Judiciário para evitar falhas: “Deveríamos estar debatendo reforma do Poder Judiciário para que as falhas deixem de acontecer”.

Apesar das críticas, o dirigente petista ponderou que qualquer alteração deve preservar a solidez da Justiça. “Não adianta nós enfraquecermos o Judiciário se não há democracia sem Judiciário”, disse.

As declarações ocorrem em meio a um momento de tensão envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF), com repercussões políticas relacionadas ao caso Banco Master. Nos últimos dias, outras lideranças do PT também manifestaram preocupações com o impacto de desgastes envolvendo ministros da Corte no cenário eleitoral.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, comentou o tema em entrevista recente, mencionando ter sugerido ao ministro Alexandre de Moraes que se declarasse impedido em processos ligados ao banco para não “jogar fora sua biografia”. Já o ex-ministro José Dirceu defendeu, em entrevista, que o STF precisa promover uma autorreforma, afirmando que “o rei está nu”.

No evento, Edinho também abordou a discussão sobre acordos de delação premiada. Questionado sobre ação do PT que trata do tema e voltou à pauta por decisão de Moraes, ele afirmou não saber o motivo da retomada do julgamento, mas avaliou que aperfeiçoar a legislação pode ser positivo. “Aprimorar a legislação da delação não é ruim”, disse.

O dirigente criticou o uso de prisões como instrumento para obtenção de delações. “Vivenciamos uma tragédia no Brasil —muitos aqui vivenciaram de perto— quando empresários foram presos, e a prisão foi utilizada como instrumento de delação. Isso não é correto. Você não pode prender alguém para que essa pessoa delate”, declarou.

Além do Judiciário, o debate incluiu críticas ao sistema político. Edinho afirmou que o modelo atual está esgotado. “O atual modelo político eleitoral do Brasil está falido, não responde mais as necessidades da sociedade brasileira”, disse, defendendo mudanças e mencionando apoio à adoção do voto em lista no Congresso.

Gilberto Kassab, por sua vez, sugeriu a criação de idade mínima para ingresso no STF. Segundo ele, ministros poderiam assumir o cargo após os 60 anos, o que permitiria um mandato de até 15 anos, considerando o limite de aposentadoria aos 75.

O encontro também abordou articulações políticas em São Paulo. Kassab reafirmou apoio à reeleição do governador Tarcísio de Freitas, destacando que ele integra “nosso campo na política de São Paulo”, apesar de recentes desgastes entre ambos.

Questionado sobre a composição da chapa para o Senado em eventual candidatura de Fernando Haddad ao governo paulista, Edinho indicou que haverá diálogo com aliados. “O apoio não é só chapa. Uma vaga é da Simone. Quem não ocupar a segunda vaga, certamente, terá outro papel no processo eleitoral”, afirmou, referindo-se à ministra Simone Tebet.

O dirigente acrescentou que Haddad buscará ampliar alianças para a disputa eleitoral, em um cenário em que cada estado elegerá dois senadores nas próximas eleições.

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