Boulos ganha força como conselheiro de Lula após mudanças no Planalto
Ministro amplia influência no núcleo político de Lula após saída de aliados e passa a integrar reuniões estratégicas da pré-campanha
247 - O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), ampliou sua presença no núcleo político do governo Lula (PT) após mudanças no primeiro escalão, consolidando-se como um dos principais conselheiros do presidente e passando a participar das reuniões estratégicas da pré-campanha eleitoral. As alterações ocorreram com a saída de ministros que disputarão eleições, abrindo espaço para sua atuação mais direta no Palácio do Planalto, relata a Folha de São Paulo.
A entrada de Boulos na chamada “cozinha” do governo representa uma mudança relevante em sua trajetória recente no cargo. Quando assumiu a função, em outubro do ano passado, sua atuação estava mais voltada à comunicação externa e à interlocução com movimentos sociais, além de iniciativas como o programa Governo do Brasil na Rua.
Com o avanço do calendário político, no entanto, suas atribuições se expandiram. O ministro passou a atuar também em temas estratégicos, como a regulamentação do trabalho por aplicativos e a proposta de fim da escala 6x1. Além disso, foi mobilizado para negociações com setores como o de caminhoneiros, em meio ao crescimento do pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, nas pesquisas.
A principal mudança, segundo auxiliares do presidente, foi sua integração ao grupo que discute a estratégia eleitoral de Lula. Embora seja filiado ao PSOL, Boulos passou a participar das reuniões semanais do conselho político, composto majoritariamente por integrantes históricos do PT.
Entre os nomes que integram esse núcleo estão o presidente do partido, Edinho Silva, responsável pela coordenação-geral da campanha; o ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli, encarregado do programa de governo; e o ex-prefeito de Diadema José de Filippi Jr., futuro tesoureiro. Também participam o senador e ex-ministro Camilo Santana, o dirigente Paulo Okamotto, o ex-ministro Gilberto Carvalho e a dirigente Mônica Valente.
Outros nomes próximos ao presidente, como o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, também contribuem com o debate estratégico. O publicitário Raul Rabelo é apontado como provável responsável pela comunicação da campanha.
O fortalecimento de Boulos ficou evidente após a confirmação, feita pelo próprio Lula, do envio de um projeto para extinguir a escala 6x1 — proposta que havia sido inicialmente anunciada pelo ministro, mas que enfrentou resistência dentro do governo e no Congresso.
Apesar do crescimento político, sua trajetória no governo não ocorreu sem conflitos. Boulos protagonizou disputas internas, como na articulação para revogar um decreto sobre concessões de hidrovias na região amazônica, medida que enfrentava oposição de comunidades indígenas, mas contava com apoio de outros ministérios.
Mesmo com a maior proximidade com Lula, interlocutores destacam que a participação no conselho estratégico não garante acesso automático ao grupo mais restrito de confiança do presidente, formado por nomes como Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann e Rui Costa, que deixaram seus cargos para disputar eleições.
A relação direta entre Lula e Boulos também é recente. Embora o presidente tenha apoiado sua candidatura à Prefeitura de São Paulo em 2024, esta é a primeira vez que ambos trabalham lado a lado no governo federal.
Nos bastidores, permanece a especulação sobre uma possível filiação de Boulos ao PT, movimento que poderia ampliar suas chances em futuras disputas eleitorais. No entanto, o PSOL rejeitou, em março, a proposta de federação com o partido de Lula, o que representou um revés para o ministro.
Com o presidente completando 80 anos, Boulos também é citado como um dos possíveis nomes para a sucessão política, embora enfrente concorrência dentro do próprio campo petista.


