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Edinho Silva se reúne com Ciro Nogueira e Rueda e mira alianças para 2026

Encontro discutiu cenários regionais e reforça disputa entre Lula e bolsonarismo por neutralidade de PP e União Brasil nas eleições

Edinho Silva e Ciro Nogueira (Foto: Agência Brasil)

247 - O presidente nacional do PT, Edinho Silva, se reuniu em janeiro com o senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas (PP), e com Antonio Rueda, presidente do União Brasil, em uma conversa voltada à construção de cenários eleitorais e possíveis composições políticas para as eleições deste ano. O encontro ocorreu em meio a movimentações estratégicas de partidos de centro que buscam ampliar margem de negociação tanto no plano nacional quanto nos palanques estaduais.

A informação foi divulgada pelo jornal O Globo, que aponta que a reunião teve como foco principal a análise de cenários regionais, especialmente em estados onde há sobreposição de interesses entre legendas que hoje se encontram em campos políticos distintos em Brasília. Procurados, Edinho, Ciro e Rueda não responderam.

O encontro aconteceu em um momento em que cresce a disputa por influência sobre o PP e o União Brasil, que estão em processo de formação de uma federação partidária ainda pendente de formalização pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo relatos de políticos ouvidos pela publicação, a tendência atual é que essa federação adote postura de neutralidade no pleito presidencial, liberando seus filiados para composições locais conforme conveniência regional.

Essa possibilidade, no entanto, não impede que diferentes campos políticos tentem atrair setores da federação. De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca aproximar partidos de centro para fortalecer sua base. De outro, aliados do bolsonarismo também atuam para conquistar espaço, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), citado como pré-candidato à Presidência e interessado em influenciar a posição do grupo.

Nordeste entra no centro das articulações

De acordo com interlocutores mencionados na reportagem, a conversa entre Edinho Silva, Ciro Nogueira e Antonio Rueda girou principalmente em torno de estados onde o PT mantém maior capacidade de articulação política, como Pernambuco, Ceará e Maranhão. Essas unidades da federação são vistas como estratégicas para a montagem de alianças no Nordeste, região tradicionalmente mais favorável à esquerda e decisiva em disputas nacionais.

Nesse contexto, partidos de centro avaliam a necessidade de acordos pragmáticos diante da força regional do lulismo e da fragmentação das disputas estaduais. A leitura, segundo os relatos, é que a multiplicidade de candidaturas tende a exigir alianças cruzadas entre partidos que, em Brasília, atuam em lados opostos.

A reunião também é interpretada como parte de movimentos discretos de lideranças partidárias para preservar espaço de negociação antes da definição formal das candidaturas presidenciais, etapa que costuma se consolidar apenas mais perto das convenções partidárias.

Ciro Nogueira reduz embate e sinaliza reaproximação

No caso do PP, a interlocução entre Ciro Nogueira e dirigentes petistas desperta atenção dentro e fora do Congresso. O senador foi ministro-chefe da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro (PL) e segue como um dos principais articuladores do campo de direita.

Ainda assim, aliados de Ciro minimizaram o peso político do encontro, alegando que ele e Edinho Silva mantêm uma relação de amizade e conversam com frequência. Segundo duas lideranças ligadas à federação, a estratégia do grupo é adiar ao máximo uma definição nacional, aguardando a evolução do cenário político e eleitoral antes de qualquer decisão formal.

Um parlamentar citado na reportagem avaliou que o encontro pode representar um gesto de “armistício” com o PT e com o governo Lula, especialmente após a cúpula dos partidos anunciar rompimento com a gestão petista no ano passado e intensificar críticas ao Planalto. Desde então, tanto Ciro quanto Rueda teriam reduzido o tom público contra o governo federal.

Reunião com Lula no passado e articulações reservadas

O diálogo com Edinho também foi interpretado como reflexo de outra movimentação recente envolvendo Ciro Nogueira. Segundo a reportagem, o senador teria participado de uma reunião reservada com o presidente Lula e com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), no fim do ano passado, encontro anteriormente noticiado pela Folha de S.Paulo.

A existência dessa conversa segue sendo negada publicamente por Ciro Nogueira, embora aliados do presidente do PP tenham confirmado que o encontro ocorreu.

União Brasil amplia negociações e Ceará vira laboratório político

No caso do União Brasil, a participação de Antonio Rueda no encontro com Edinho Silva é vista como parte de uma estratégia de fortalecimento das negociações regionais. Um exemplo citado por aliados é o Ceará, onde a federação tem discutido alternativas para o governo estadual.

Segundo O Globo, um jantar realizado em Brasília reuniu recentemente o ex-presidenciável Ciro Gomes, Ciro Nogueira, Antonio Rueda e lideranças políticas cearenses para debater a possibilidade de apoio da federação a uma candidatura de Gomes ao governo do estado. Ainda assim, o aliado de Rueda ressaltou que nenhuma decisão foi tomada.

O impasse ocorre porque o governador Elmano de Freitas (PT) tem sinalizado a possibilidade de oferecer espaço na chapa majoritária ao União Brasil, em uma tentativa de atrair o apoio da federação. Conforme o relato, em outro momento o apoio a Ciro Gomes poderia ter sido selado, mas agora o grupo prefere aguardar os próximos movimentos antes de fechar posição.

A lógica da federação, segundo a reportagem, é ampliar ao máximo o número de deputados e senadores eleitos, avaliando quais alianças regionais podem resultar em maior ganho político e eleitoral.

PT busca evitar isolamento e conter adesão ao bolsonarismo

Do lado petista, dirigentes avaliam que a rodada de diálogos integra uma estratégia mais ampla para evitar isolamento em colégios eleitorais estratégicos e reduzir a adesão antecipada de partidos de centro ao campo bolsonarista.

Segundo esses interlocutores, a tendência é que encontros como o de janeiro se tornem mais frequentes com a aproximação das eleições. A orientação dentro do PT seria manter canais abertos até mesmo com lideranças que estiveram em lados opostos nos últimos anos, priorizando a construção de maiorias estaduais e alianças competitivas.

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