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Eduardo Braga será relator de indicação de Otto Lobo à CVM no Senado

Indicado ao comando da CVM, Otto Lobo passará por sabatina na CAE antes de votação em plenário

Eduardo Braga (Foto: Geraldo Magela/Senado Fotos)

247 - O senador Eduardo Braga (MDB-AM) foi designado, nesta terça-feira (14), como relator da indicação de Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O nome do indicado ainda precisará ser analisado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, etapa que antecede a votação final no plenário da Casa.

A escolha ocorre em meio a debates sobre o perfil ideal para comandar a autarquia responsável pela regulação do mercado de capitais no país, especialmente em um cenário recente de questionamentos sobre a atuação de órgãos de supervisão financeira.

Otto Lobo é visto por integrantes do mercado mais como um nome de perfil político do que técnico para a função. Sua indicação ganhou contornos mais sensíveis após o episódio envolvendo o Banco Master, que ampliou a preocupação sobre a atuação de autoridades em órgãos estratégicos como a CVM e o Banco Central.

O avanço de Lobo também foi interpretado como um revés para a equipe econômica, que defendia outro nome para o comando da autarquia. Nos bastidores, a movimentação foi associada a uma derrota política para o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Lobo já ocupou interinamente a presidência da CVM até 31 de dezembro de 2025, quando terminou seu mandato. Ele integra a diretoria do órgão desde 2022, tendo sido indicado durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Enquanto o Senado não conclui a análise do nome, a CVM segue sob comando interino do diretor João Accioly, o mais antigo da instituição. Em entrevista, Accioly afirmou que a autarquia enfrenta pressões externas e críticas relacionadas ao caso do Banco Master. Segundo ele, há tentativas de responsabilizar o órgão por problemas ligados à instituição financeira. “O órgão está sob ataque”, declarou, ao mencionar que outros agentes buscam atribuir à reguladora a “culpa” pelos episódios.

No fim de março, superintendentes da CVM deixaram seus cargos após a divulgação de um relatório que apontou falhas na condução de processos relacionados ao banco controlado por Daniel Vorcaro, intensificando o ambiente de tensão dentro da autarquia.

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