Senado libera indicação de Otto Lobo à CVM após atraso e prevê sabatina em maio
Nome segue para sabatina na CAE, mas feriados e agenda do colegiado devem adiar análise até meados de maio
247 - A indicação de Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) avançou no Senado na quinta-feira (9), após três meses de espera. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), encaminhou o nome do indicado à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), responsável pela sabatina, mas a expectativa é de que a análise ocorra apenas em meados de maio.
O adiamento decorre de uma agenda legislativa apertada, impactada pelos feriados de Tiradentes e do Dia do Trabalho, além de compromissos institucionais já previstos. Entre eles, está o depoimento semestral do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, agendado para terça-feira (5) ou terça-feira (12) do próximo mês, o que reduz o espaço para deliberações no colegiado.
Além de Lobo, também foi enviada à CAE a indicação de Igor Muniz para uma diretoria da autarquia. As datas das sabatinas ainda não foram definidas e dependerão da organização do calendário pelo presidente da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL).
A tramitação da indicação de Otto Lobo havia sido interrompida desde janeiro, quando o nome foi formalizado. O atraso ocorreu após reação de Alcolumbre a declarações de integrantes do governo que o associaram à indicação, hipótese negada pelo senador. Nos bastidores, a articulação pelo nome de Lobo é atribuída ao então ministro da Casa Civil, Rui Costa.
A escolha também gerou divergências dentro da equipe econômica. O avanço de Lobo foi interpretado como uma derrota para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que defendia outro nome para o comando da CVM.
Com trajetória recente na autarquia, Otto Lobo integrou a diretoria da CVM a partir de 2022, durante o governo do então presidente Jair Bolsonaro, e exerceu a presidência interina até terça-feira (31) de dezembro de 2025. Até a conclusão do processo no Senado, o órgão segue sob comando interino do diretor João Accioly, o mais antigo da instituição.
Accioly afirmou nesta semana que a CVM enfrenta pressões externas e tentativas de responsabilização por episódios recentes envolvendo o banco Master. Segundo ele, há agentes buscando atribuir à reguladora a “culpa” por problemas relacionados ao caso.
A situação interna da autarquia foi agravada no fim de março, quando superintendentes deixaram seus cargos após a divulgação de um relatório que apontou falhas na condução do caso envolvendo o banco de Daniel Vorcaro.
No Senado, a expectativa é de que a análise da indicação de Lobo ocorra em um ambiente mais rigoroso, diante das preocupações sobre a atuação de dirigentes em órgãos estratégicos do sistema financeiro. Paralelamente, a articulação política busca destravar indicações antes do avanço do calendário eleitoral, que tende a esvaziar as atividades legislativas no segundo semestre.


