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Eduardo recua e elogia visita de Tarcísio a Bolsonaro na prisão

Deputado diz estar satisfeito com encontro após críticas ao governador e pressão por apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro

Tarcísio de Freitas (menor destaque) e Eduardo Bolsonaro (Foto: Elizabeth Frantz/Reuters I Carla Carniel/Reuters )

247 - Após uma sequência de críticas públicas ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou ter ficado “especialmente satisfeito” com a visita do chefe do Executivo paulista a Jair Bolsonaro (PL), que está preso. O encontro ocorreu na quinta-feira (29) e marcou uma inflexão no tom adotado por Eduardo nos últimos dias, em meio a disputas internas no campo bolsonarista sobre a sucessão presidencial. 

A visita aconteceu depois de Tarcísio ter cancelado, na semana anterior, um compromisso semelhante, o que havia provocado ataques diretos de Eduardo. À época, o ex-deputado criticou o governador por não endossar de forma explícita a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência e chegou a afirmar que Tarcísio teria sido eleito apenas graças ao capital político do ex-presidente.

Em publicação nas redes sociais, Eduardo afirmou que o gesto do governador ocorre em um momento de convergência dentro do grupo político e ressaltou o impacto pessoal do encontro para Jair Bolsonaro. “(A visita) É um gesto que, sem dúvida, faz muito bem a ele (Jair Bolsonaro) neste momento difícil que ele atravessa”, escreveu. Em seguida, completou: “Por isso, fiquei especialmente satisfeito com a visita realizada hoje. Gestos como esse fortalecem laços, constroem pontes e reafirmam compromissos com o futuro do Brasil”.

As críticas anteriores haviam sido feitas de forma pública e contundente. Em entrevista ao podcast Santa Política, concedida no mesmo dia em que a visita inicialmente prevista foi cancelada, Eduardo minimizou a trajetória política de Tarcísio antes de sua passagem pelo governo federal. “O Tarcísio até ontem era um servidor público, um desconhecido da sociedade. Ganhou notoriedade sendo ministro da Infraestrutura. E depois foi eleito em São Paulo graças ao presidente Jair Bolsonaro. Ele não tem a opção de ir contra o Bolsonaro”, declarou.

O cancelamento da visita anterior foi justificado pela assessoria do governador como resultado de compromissos em São Paulo. No entanto, não houve divulgação de agenda pública no dia previsto para o encontro, e a equipe de Tarcísio informou apenas a realização de “despachos internos”, o que alimentou especulações nos bastidores políticos.

Desta vez, a presença de Carlos Bolsonaro no encontro também foi destacada por Eduardo. O ex-vereador do Rio de Janeiro acompanhou o governador e compartilhou a publicação do irmão, gesto interpretado como sinal de distensão após semanas de tensão. Carlos havia rebatido, recentemente, a possibilidade de Tarcísio se colocar como alternativa presidencial dentro do grupo.

A disputa ganhou novos contornos após a divulgação, em janeiro, de um vídeo em que Tarcísio critica o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na publicação, a esposa do governador, Cristiane Freitas, comentou que “o Brasil precisa de um novo ‘CEO’, meu marido”. A mensagem recebeu curtidas do próprio Tarcísio e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, provocando reação negativa entre aliados de Flávio e dos filhos do ex-presidente.

Após o encontro desta quinta-feira, Tarcísio buscou encerrar as especulações e reafirmou seu alinhamento com o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro. Segundo o governador, sua prioridade permanece sendo São Paulo. “O meu interesse é ficar em São Paulo. Isso não tem controvérsia nenhuma. A gente tem um projeto de longo prazo e quer ver esses projetos se materializando. Apoio Flávio, sem dúvidas”, afirmou. Ele também defendeu a unidade do campo conservador e disse que o grupo pretende atuar de forma coesa na disputa nacional.

Antes da visita, Flávio Bolsonaro adotou um tom mais moderado ao comentar o encontro, dizendo que o pai “gostaria muito” de receber o governador para “bater um papo entre amigos”, sem menções diretas a articulações eleitorais. Declarações anteriores do senador haviam sido interpretadas por aliados de Tarcísio como uma tentativa de pressão pública, o que contribuiu para elevar a tensão em torno de um encontro que, inicialmente, vinha sendo tratado como um gesto pessoal de solidariedade.

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