Tarcísio decepciona aliados por submissão a Bolsonaro: “faltou coragem”
Segundo aliados do governador, o recuo na disputa presidencial “beira à subserviência” ao ex-presidente
247 - A decisão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena na Papudinha, provocou forte reação entre aliados que ainda apostavam em sua entrada na corrida presidencial. O gesto foi interpretado como um recuo definitivo em relação a uma possível candidatura ao Palácio do Planalto e como um sinal claro de alinhamento ao núcleo duro do bolsonarismo. As informações são da CNN Brasil.
O sentimento predominante entre apoiadores do projeto presidencial de Tarcísio passou a ser de frustração diante do que consideram falta de disposição para enfrentar a influência direta de Bolsonaro e construir uma alternativa política mais ampla, capaz de atrair partidos de centro e setores do mercado financeiro.
De forma reservada, pessoas próximas ao chefe do Executivo paulista afirmam que “faltou coragem” para romper com o bolsonarismo. Outros aliados foram ainda mais duros ao descrever a postura do governador como uma obediência excessiva ao ex-presidente e à sua militância, avaliando que a atitude “beira à subserviência”.
Ao deixar o presídio, Tarcísio falou com a imprensa e tratou de afastar qualquer dúvida sobre seu posicionamento político. Ele confirmou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), escolhido pelo pai como candidato à Presidência, e reforçou que não pretende disputar o cargo. “Desde 2023” seu interesse “é ficar em São Paulo”, declarou. “Isso não tem controvérsia nenhuma, eu tenho uma linha de coerência, falei lá atrás que tenho um comprometimento com o estado de São Paulo, sou grato ao estado de São Paulo”, afirmou.
Na mesma fala, o governador destacou o papel estratégico que atribui ao cargo que ocupa. “Eu tenho um papel importante dentro do time, que é cuidar do estado, que é o maior colégio eleitoral do Brasil. O grupo tem uma tarefa importante, que é proporcionar para o Brasil um projeto diferente”, disse.
Publicamente, Tarcísio nunca assumiu a intenção de concorrer à Presidência. Nos bastidores, porém, o tema foi discutido intensamente por dirigentes partidários, aliados e marqueteiros, que chegaram a trabalhar com a hipótese de um aval de Bolsonaro para que o governador enfrentasse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa expectativa foi encerrada quando o ex-presidente decidiu lançar o próprio filho, Flávio, no fim do ano passado.
Pesquisas que indicam melhora no desempenho do senador ajudaram a consolidar a escolha, mesmo com avaliações internas de que ele ainda teria menos chances de vitória em um eventual segundo turno contra Lula. Paralelamente, aliados mais próximos de Bolsonaro alertaram Tarcísio de que movimentos em direção ao centro, incentivados por Gilberto Kassab, presidente do PSD e secretário de Governo paulista, poderiam romper pontes com a direita mais radical e até colocar em risco sua reeleição.
Após a visita à Papudinha, esses mesmos interlocutores avaliam que o governador está “em paz” com Bolsonaro e com a decisão de buscar um novo mandato no Palácio dos Bandeirantes. Na visão do grupo, mais quatro anos à frente do maior estado do país podem pavimentar um caminho mais sólido para 2030, com maior preparo e uma base eleitoral própria. Ainda assim, admitem que, no cenário atual, a dependência do bolsonarismo permanece como um dado central da trajetória política de Tarcísio.


