Plano presidencial do PSD ameaça vice na chapa de Tarcísio em São Paulo
Movimento de Gilberto Kassab para lançar candidato ao Planalto pode levar à exclusão do partido da vice em 2026
247 - O projeto do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, de lançar um nome do partido à Presidência da República em 2026 tende a ter impacto direto na composição da chapa do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Nos bastidores da política paulista, cresce a avaliação de que a sigla pode perder o posto de vice-governador, hoje ocupado por Felício Ramuth, diante do alinhamento exigido para a disputa presidencial, informa a Folha de São Paulo.
Segundo lideranças políticas do estado, a formação do palanque de Tarcísio passará por um critério central: o compromisso explícito com a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. O governador já deixou clara sua posição ao afirmar que “vai trabalhar muito” pelo filho 01 de seu padrinho político, Jair Bolsonaro (PL). Nesse cenário, aliados avaliam que não haveria espaço para partidos que mantenham projetos próprios no plano nacional.
Um aliado próximo de Tarcísio afirmou que Kassab “não pode ter tudo” e que não faria sentido o PSD preservar uma vaga estratégica na chapa paulista enquanto o governador deverá dividir agendas e atos de campanha com Flávio Bolsonaro. A leitura é de que a composição exige um compromisso institucional do partido, e não apenas a liberdade individual de seus quadros para apoiar diferentes candidaturas nacionais.
Mesmo sendo bem avaliado por Tarcísio, Felício Ramuth teria dificuldades para permanecer como vice caso continue filiado ao PSD. O mesmo raciocínio se aplicaria ao próprio Kassab, que já manifestou interesse em ocupar a vice do governador mirando uma eventual candidatura ao Palácio dos Bandeirantes em 2030.
Com o possível afastamento do PSD, ganha força o nome do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), deputado André do Prado (PL), como alternativa para a vice. No arranjo mais amplo da chapa, PP e União Brasil, que integram uma federação, devem indicar o deputado federal Guilherme Derrite (PP) para a disputa ao Senado. Já o PL reivindica outra vaga, com os nomes do deputado estadual Gil Diniz e da deputada federal Rosana Valle sendo cogitados.
No plano nacional, Kassab tem reforçado o protagonismo do PSD ao filiar, na terça-feira (27), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Com isso, o partido passa a reunir três governadores vistos como presidenciáveis: além de Caiado, Ratinho Jr. (PR) e Eduardo Leite (RS). Sobre a definição do candidato, Kassab afirmou: “Aquele que estiver em melhores condições será o candidato, definiremos em abril”.
O dirigente também defendeu uma linha política específica para a sigla. Segundo ele, o PSD busca “uma candidatura moderada, que possa ser um contraponto a uma proposta mais radical de esquerda e outra mais radical de direita”. Kassab acrescentou que o partido abriria mão de lançar um nome próprio caso Tarcísio decida concorrer ao Palácio do Planalto. “Não tem sentido [manter uma candidatura do PSD] porque Tarcísio a presidente seria uma união de forças, e o PSD estaria junto".


