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Em Barcelona, Lula e Sánchez alertam para avanço do extremismo e criticam desigualdade global

Presidentes defendem articulação internacional para fortalecer instituições democráticas e enfrentar pobreza extrema

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião Plenária da I Cúpula Brasil-Espanha. Palácio Real de Pedralbes, Espanha (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

247 - Os presidente do Brasil e da Espanha, Luiz Inácio Lula da Silva e  Pedro Sánchez, respectivamente, reforçaram nesta sexta-feira (17), durante coletiva de imprensa em Barcelona, a defesa da democracia e o enfrentamento das desigualdades globais, às vésperas da 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre, marcada para este sábado (18). 

As declarações ocorreram após a assinatura de atos no Palácio Real de Pedralbes, em meio a um cenário mundial marcado por mais de 690 milhões de pessoas em extrema pobreza e concentração de riqueza nas mãos de 10% da população, que detém cerca de 75% do total global, segundo a ONU. 

“Eu quero saber onde é que nós falhamos enquanto democratas, onde é que as instituições democratas deixaram de funcionar”, afirmou Lula. “Você vai percebendo que aquilo que foi criado para fortalecer o processo democrático está se esvaindo, se exaurindo. Nesses últimos 20 anos, na maioria dos países, a classe trabalhadora vem só retrocedendo. Está aumentando a concentração de riqueza, estão tirando os direitos humanos conquistados a sangue e o suor. A democracia foi se enfraquecendo. E aí ganha corpo o quê? Ganha corpo o extremismo”.

O presidente brasileiro destacou ainda a importância da articulação internacional para defender valores democráticos. “Como nós acreditamos em outra coisa, cabe a nós fazermos as reuniões que estamos fazendo para criar uma certa consciência de que a democracia precisa ter porta-vozes em nível internacional”, disse. 

Em sua análise, Lula também mencionou o crescimento da adesão ao fórum. “Quero agradecer o desafio de fazer uma reunião e tentar juntar as pessoas progressistas. Nós agora já estamos com muita gente. Isso significa que o nosso rebanho está crescendo”, afirmou.

Ao encerrar sua participação, Lula fez um apelo por uma narrativa política que mobilize a sociedade. “É preciso ter um discurso que dê esperança, que desperte o sonho nas pessoas. Se não fosse a democracia, um metalúrgico sem diploma universitário não chegaria à Presidência da República do Brasil pela terceira vez. Por isso, estou muito orgulhoso de participar desse encontro em Barcelona, para que a gente possa construir mais um pedacinho da estrada chamada democracia que tanto o mundo precisa”, declarou.

Pedro Sánchez

Pedro Sánchez ressaltou que o Fórum Democracia Sempre amplia sua relevância ao integrar diferentes setores da sociedade. “Não só estamos falando da participação de atores governamentais. Ao seu redor tem colaboração acadêmica, social, sindical”, afirmou. 

O político espanhol destacou que o combate à desigualdade está diretamente ligado à consolidação democrática. “Se existe um desafio social que todas as nações têm é como enfrentar a desigualdade em nossas sociedades e entre as nações. E isso tem muito a ver com duas iniciativas que tanto o governo do Brasil como o governo da Espanha estão liderando em diferentes fóruns multilaterais”, disse.

O líder espanhol defendeu a criação de estruturas mais amplas de cooperação internacional. “Se a desigualdade é um dos principais desafios que a humanidade enfrenta, é preciso criar uma arquitetura, uma estrutura onde não só os representantes dos governos, mas também acadêmicos, cientistas, possam participar e contribuir com sua inteligência e seus conhecimentos”, afirmou.

A 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum Democracia Sempre, marcada para este sábado (18), foi organizada pelo governo espanhol. Os eventos reunirão chefes de Estado e representantes de diferentes setores para discutir o fortalecimento das instituições democráticas e a redução das desigualdades, apontadas como um dos principais desafios globais.

Números preocupantes

Relatórios recentes reforçam o alerta feito pelos presidentes. O Relatório Mundial Social de 2025, das Nações Unidas, aponta que cerca de 2,8 bilhões de pessoas vivem com renda entre US$ 2,15 e US$ 6,85 por dia, o que as torna vulneráveis a crises econômicas e desastres naturais. O documento também indica que pequenos choques podem empurrar milhões de pessoas de volta à pobreza extrema.

Dados do Relatório sobre Desigualdade Mundial mostram que a concentração de renda segue em alta. Enquanto os 10% mais ricos concentram a maior parte da riqueza global, a metade mais pobre possui apenas 2%. No topo dessa estrutura, menos de 60 mil pessoas acumulam patrimônio equivalente a três vezes o total detido por mais de 4 bilhões de indivíduos. 

Desde a década de 1990, a riqueza dos bilionários cresce a uma taxa média anual de cerca de 8%, quase o dobro do avanço registrado entre os mais pobres.

O cenário descrito pelos estudos reforça a agenda discutida em Barcelona, onde lideranças políticas buscam ampliar a cooperação internacional para enfrentar desigualdades e fortalecer sistemas democráticos em diferentes regiões do mundo.

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