Lula defende "regular tudo que for digital" contra influência externa em ano eleitoral
Presidente propõe regras para plataformas e alerta sobre riscos à democracia em ano eleitoral
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta sexta-feira (17), a criação de regras para o ambiente digital com o objetivo de proteger o Brasil contra interferências externas, especialmente em um contexto eleitoral. A proposta, segundo a Folha de São Paulo, inclui maior controle sobre plataformas digitais para conter a desinformação e preservar a soberania nacional.
As declarações foram feitas após reunião bilateral com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em Barcelona, na véspera de um encontro com líderes progressistas de diferentes países.
Defesa da regulação digital
Durante a agenda internacional, Lula destacou a necessidade de regulamentar o ambiente digital como forma de garantir autonomia ao país. “Nós precisamos agora regular tudo que for digital, para que a gente dê soberania ao nosso país, e que não permita inclusive intromissão de fora, sobretudo num ano eleitoral”, afirmou.
O presidente também criticou a disseminação de conteúdos falsos e agressivos nas redes sociais. “Não é possível você tratar como normal e como liberdade de expressão a indústria da mentira, da violência verbal, da desinformação, como tem acontecido no planeta”, disse.
Ele reforçou que pretende avançar no tema para proteger as instituições. “Vou trabalhar muito na regulação para evitar que as plataformas causem qualquer dano contra a democracia, a soberania e a felicidade das pessoas”, acrescentou.
Encontro de líderes e combate à desinformação
Lula participa de um encontro com cerca de uma dúzia de chefes de Estado progressistas no âmbito do Fórum Democracia para Sempre, iniciativa criada em 2024 em parceria com Pedro Sánchez. Entre os participantes estão lideranças de países como México, Colômbia, Uruguai e África do Sul, além de representantes europeus. O combate à desinformação figura como um dos principais temas do encontro, ao lado do multilateralismo e da redução das desigualdades.
Autocrítica sobre democracia e extremismo
O presidente também fez uma reflexão sobre o avanço do extremismo no cenário internacional e reconheceu falhas no campo democrático. “Eu quero saber onde nós falhamos como democratas. Onde as instituições democráticas deixaram de funcionar”, afirmou. Ele citou ainda o enfraquecimento de organismos internacionais. “A ONU hoje está muito enfraquecida. As nações que criaram a ONU não respeitam a ONU”, disse.
Ao abordar os desafios contemporâneos, Lula também questionou a capacidade das políticas públicas de atender às novas demandas sociais. “Onde é que o nosso discurso está errado? Onde é que as nossas políticas públicas não estão atendendo às expectativas de uma juventude que quer um novo mundo do trabalho?”, declarou.
Agenda internacional segue pela Europa
Após a passagem pela Espanha, Lula segue para a Alemanha, onde participará da Feira Industrial de Hannover. Em seguida, visita Portugal, onde terá encontros com o primeiro-ministro Luís Montenegro e o presidente António José Seguro. A comitiva brasileira inclui ministros de áreas estratégicas, além de representantes de instituições como o BNDES, a Polícia Federal e a Fiocruz. O retorno ao Brasil está previsto para a próxima terça-feira (21).


