Lula alerta para riscos democráticos em ano eleitoral
Em discurso, presidente destaca avanço da extrema-direita e cobra atenção do eleitorado durante conferência em Brasília
247 - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta terça-feira (24), em Brasília, que a democracia enfrenta riscos em diferentes partes do mundo e fez um alerta direto ao eleitorado brasileiro em ano eleitoral. A declaração ocorreu durante participação na 3ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário (CNDRSS).
Durante o evento, organizado pelo governo federal com foco na construção de políticas públicas para populações do campo, das águas e das florestas, Lula também abordou o cenário político internacional e nacional, destacando a necessidade de vigilância diante do avanço da extrema-direita.
Segundo o presidente, o contexto global é de instabilidade crescente. “A democracia está correndo risco em vários lugares. A chamada extrema-direita tem crescido em vários lugares”, afirmou. Ele também chamou atenção para o aumento de conflitos internacionais: “Hoje nós temos a maior quantidade de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial”.
Ao relacionar esse cenário com o Brasil, Lula defendeu cautela e engajamento político da população. “Nós temos que ter uma preocupação muito séria com este país”, disse, ao destacar a relevância estratégica do território brasileiro, incluindo recursos minerais e naturais.
O presidente também fez críticas a desinformação no ambiente político. “O que não falta para eles é vontade de mentir o dia inteiro na televisão, o dia inteiro na internet”, declarou, ao pedir que apoiadores não reproduzam conteúdos falsos. “Vocês têm que tomar muito cuidado para não repassar as mentiras que eles passam para outras pessoas”.
Ano eleitoral e mobilização política
Lula enfatizou que 2026 será decisivo para os rumos do país e reforçou a importância da participação política. “Esse ano é ano de eleição”, disse, destacando que candidaturas ainda dependem das convenções partidárias.
Ele apontou uma contradição entre o perfil da população e sua representação no Congresso Nacional. “Não é possível que a gente seja a maioria da sociedade e, na hora de representação, nós somos minoria”, afirmou.
O presidente defendeu maior organização política de trabalhadores e incentivou candidaturas populares. “Nós precisamos ocupar o espaço da política”, declarou, citando a necessidade de eleger mais trabalhadores, mulheres e representantes de movimentos sociais.
Mudanças no ministério e balanço de ações
Durante o discurso, Lula também anunciou a substituição no Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. Com a saída de Paulo Teixeira, que será candidato a deputado federal, a atual secretária-executiva Fernanda Machiavelli assumirá a pasta.
O presidente justificou a decisão de manter nomes já integrados à estrutura do governo. “Como falta nove meses para terminar o mandato, não dá para o cara montar uma equipe e aprender a trabalhar em nove meses”, explicou.
Lula aproveitou para destacar ações da gestão na área rural, como renegociação de dívidas e programas de financiamento. Segundo ele, o programa Desenrola Rural beneficiou 507 mil agricultores, com renegociação de R$ 23 bilhões em dívidas.
Defesa de políticas sociais e legado
Ao longo da fala, o presidente também fez uma defesa das políticas de inclusão social implementadas em seus governos. Ele afirmou que houve avanços significativos na reforma agrária e em outras áreas.
“51% de toda a terra disponibilizada para a reforma agrária nesse país foi feita nos meus dois primeiros mandatos”, declarou.
Lula também destacou o papel da população na sua trajetória política. “Eu só estou aqui por causa de vocês”, afirmou, dirigindo-se aos participantes da conferência.


