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Lula defende investimentos em energia e reforço do Luz para Todos

Presidente participou do Sente a Energia, em Brasília, e defendeu contratos, Petrobras, biodiesel e ampliação do Luz para Todos

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante o evento SENTE A ENERGIA: Investimentos em Energia e Melhorias no Luz Para Todos, no salão principal do Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB). Brasília - DF. (Foto: Foto: SEAUD/PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (8), em Brasília, que os novos investimentos no setor elétrico, a renovação de contratos e o reforço do Luz para Todos podem garantir mais segurança energética ao país. As informações são do discurso feito por Lula durante o evento Sente a Energia: investimentos em energia e melhorias no Luz Para Todos, no Centro Internacional de Convenções do Brasil.

Ao lado do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, Lula defendeu a antecipação de contratos no setor elétrico como uma demonstração de confiança entre governo e empresas. Segundo ele, a medida permite que as concessionárias planejem investimentos sem esperar o vencimento dos contratos atuais.

“É muito gratificante que a gente apresente à sociedade brasileira a ideia de que a gente pode ter um país que nunca mais teremos apagão”, afirmou o presidente.

Lula disse que o Estado pode atuar em parceria com o setor privado, desde que os acordos sejam cumpridos. Ele citou conversas com autoridades e empresas italianas para criticar compromissos que, segundo ele, não foram honrados.

“É melhor a gente fazer os contratos que estamos fazendo aqui. A gente vai exigir, e vocês também vão exigir de nós, se cada um cumprir com a sua tarefa, quem ganha é a sociedade brasileira”, declarou.

Petrobras, petróleo e política de preços

No discurso, Lula também defendeu a Petrobras e criticou movimentos anteriores de desmonte da estatal. Segundo o presidente, a empresa voltou a ocupar papel estratégico na economia brasileira, com capacidade de investimento e ampliação das exportações.

“A Petrobras é hoje uma das empresas de petróleo mais segura do mundo. A Petrobras está fazendo investimentos extraordinários. E a Petrobras está exportando petróleo, exportando muito petróleo”, disse.

Lula afirmou que o governo buscou impedir que a alta internacional do petróleo, provocada por conflitos externos, chegasse integralmente ao consumidor brasileiro. Segundo ele, a estratégia incluiu a cobrança de tributos sobre empresas exportadoras beneficiadas pela elevação dos preços e o uso desses recursos para aliviar o impacto no mercado interno.

“O Brasil é hoje o país que menos está sendo vítima dessa guerra do Irã no preço do nosso combustível”, afirmou.

O presidente também associou a retomada da Petrobras à recuperação da indústria naval brasileira. Segundo ele, o setor já gerou mais de 56 mil novos empregos e voltou a construir navios para reduzir a dependência externa no transporte de produtos brasileiros.

Biodiesel e vantagem ambiental do Brasil

Lula dedicou parte do discurso à defesa dos biocombustíveis. Ele lembrou que o biodiesel começou a ser desenvolvido em seu primeiro mandato e afirmou que o Brasil tem condições de disputar a agenda ambiental com países desenvolvidos.

O presidente citou sua participação na feira industrial de Hanover, na Alemanha, onde disse ter desafiado montadoras e autoridades alemãs a compararem a emissão de CO2 do combustível brasileiro com o europeu.

“Eu queria comparar a emissão de CO2 do combustível brasileiro com o combustível deles”, afirmou.

Segundo Lula, o teste indicou vantagem expressiva para o biocombustível nacional.

“O nosso biocombustível emite 90% menos CO2. E na média, o nosso combustível emite 67% menos CO2”, disse.

Lula afirmou que, em vez de vender ao Brasil novas tecnologias que encarecem caminhões, países europeus poderiam adotar o biodiesel brasileiro. Ele também comparou a matriz energética nacional com as metas da União Europeia.

“Veja o Brasil, nós já temos praticamente 90% da nossa energia elétrica renovável. E se pegar toda a nossa energia, o Brasil já tem, em 2025, 53% de toda a matriz energética renovável”, declarou.

Para o presidente, isso coloca o país em posição de destaque na discussão climática internacional.

“Nós estamos 30 anos à frente da União Europeia quando se trata de emissão de gás de efeito estufa”, disse.

Relação com os Estados Unidos e comércio exterior

Lula também falou sobre sua conversa com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio a tensões comerciais. O presidente brasileiro afirmou que não pretende adotar decisões precipitadas e disse ter defendido uma negociação baseada em dados.

“A primeira coisa que nós tivemos que fazer foi provar que os Estados Unidos estavam cometendo um equívoco ao dizer que tinha déficit comercial com o Brasil”, afirmou.

Segundo Lula, os Estados Unidos acumularam superávit de US$ 415 bilhões com o Brasil em 15 anos, considerando bens e serviços. Ele disse ter levado essa informação ao presidente norte-americano.

“Eu disse ao presidente Trump, eu não quero guerra com você, eu sei que você tem o melhor navio do mundo, eu sei que você tem o melhor carro do mundo, eu sei que você tem o melhor exército, eu sei tudo isso. Agora, é preciso disputar comigo na narrativa. Eu quero discutir fatos. Eu não quero guerra”, declarou.

Lula afirmou que deu prazo de 30 dias para que os ministérios responsáveis pelo comércio nos dois países ajustem os números em discussão. Ele também disse que o Brasil manterá uma política externa sem vetos a parceiros comerciais.

“Quem quiser fazer negócio com o Brasil, que venha. Estaremos de braços abertos para comprar e para vender”, afirmou.

O presidente também defendeu que Alemanha e União Europeia ampliem sua presença na América Latina e vejam o Brasil como uma plataforma produtiva e tecnológica.

“O que vocês precisam é acreditar que nós não somos uma republiqueta de banana. Nós somos um país que tem uma base intelectual, tem uma base tecnológica, queremos aprender, mas temos o que ensinar também”, disse.

Endividamento, crédito e segurança pública

Lula mencionou ainda um novo programa voltado a pessoas físicas, pequenas empresas, microempreendedores individuais e empresários endividados. Segundo ele, o objetivo é facilitar o acesso a crédito com garantias públicas, sem estimular dívidas acima da capacidade de pagamento.

“Eu adoro que as pessoas possam ter capacidade de fazer dívida no limite do que ela possa pagar”, afirmou.

O presidente disse que o governo também criou programas para facilitar a compra de máquinas agrícolas, caminhões e ônibus com menor emissão de gases de efeito estufa.

Na área da segurança pública, Lula afirmou que o governo deve anunciar na próxima semana um programa de enfrentamento ao crime organizado. Segundo ele, a iniciativa buscará articulação com estados, polícias estaduais e parceiros internacionais.

“Vai ser, possivelmente, a coisa mais séria que a gente vai fazer do ponto de vista de segurança pública”, disse.

Luz para Todos e inclusão energética

Ao tratar do Luz para Todos, Lula afirmou que o programa tem caráter social e transformador, especialmente para famílias que vivem em áreas afastadas e sem acesso regular à energia elétrica.

“Esse programa é um programa revolucionário”, declarou.

O presidente criticou a invisibilidade de comunidades pobres que, segundo ele, muitas vezes vivem próximas a grandes obras de infraestrutura, mas sem acesso aos serviços básicos.

“Às vezes é triste porque tem gente que mora vizinho à hidrelétrica e não tem energia elétrica”, afirmou.

Lula também citou o programa Água para Todos e a transposição do Rio São Francisco, destacando obras de infraestrutura hídrica no Nordeste. Segundo ele, são 1.700 quilômetros de canal principal e 15 mil quilômetros de adutoras.

Data centers e geração própria de energia

Lula defendeu a atração de data centers para o Brasil, mas afirmou que empresas com alto consumo de energia devem construir sua própria geração.

“Nós queremos dizer que venha data center para cá. Mas que data center venha para cá com a disposição também de construir sua própria energia”, afirmou.

Segundo ele, a energia nacional não deve ser consumida apenas por estruturas voltadas à produção de dados para o exterior.

“A nossa energia não é para data centers, para fazer produção de dados para o exterior, não. Nós queremos data center para nós”, disse.

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