FAO: preços mundiais dos alimentos sobem pelo terceiro mês consecutivo em abril
Índice global avançou 1,6% no mês, impulsionado pela alta dos óleos vegetais, cereais e carnes, segundo relatório da ONU
247 - Os preços mundiais dos alimentos voltaram a subir em abril e registraram o terceiro avanço mensal consecutivo, segundo relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O Índice de Preços dos Alimentos, que acompanha os valores internacionais de commodities alimentares negociadas globalmente, atingiu média de 130,7 pontos em abril. As informações são do jornal O Globo.
O resultado representa alta de 1,6% em relação a março e avanço de 2% na comparação com o mesmo período de 2025. De acordo com a entidade, o aumento foi puxado principalmente pelos preços das carnes, dos óleos vegetais e dos cereais.
Carnes atingem novo recorde
O índice de carnes da FAO avançou 1,2% em abril na comparação mensal e ficou 6,4% acima do registrado há um ano, alcançando novo recorde histórico. Segundo o relatório, os preços internacionais da carne bovina subiram devido ao aumento das cotações de exportação no Brasil e à oferta limitada de gado pronto para abate, cenário associado ao processo de recomposição dos rebanhos.
A FAO também apontou alta nos preços da carne suína, impulsionada pela demanda sazonal na União Europeia. O movimento foi parcialmente compensado pela maior oferta disponível no mercado brasileiro.
Óleos vegetais têm maior nível desde 2022
O índice de preços dos óleos vegetais subiu 5,9% em abril em relação ao mês anterior e alcançou o maior patamar desde julho de 2022.
Segundo a FAO, os preços do óleo de palma, soja, girassol e canola avançaram no período. A entidade atribuiu a alta ao aumento da demanda por biocombustíveis em países produtores e à valorização do petróleo bruto.
A organização também mencionou preocupações com uma possível redução da produção no Sudeste Asiático nos próximos meses.
Cereais registram alta moderada
O índice de cereais da FAO avançou 0,8% em relação a março e ficou 0,4% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Os preços mundiais do trigo subiram 0,8%, influenciados por preocupações com a seca em regiões dos Estados Unidos e pela previsão de chuvas abaixo da média na Austrália.
O relatório também menciona expectativas de redução da área plantada de trigo em 2026, diante dos altos custos de fertilizantes associados ao aumento dos preços da energia e às interrupções ligadas ao fechamento efetivo do Estreito de Ormuz. O economista-chefe da FAO, Máximo Torero, afirmou que os sistemas agroalimentares globais seguem resilientes apesar das tensões no Oriente Médio.
"Os preços dos cereais aumentaram apenas moderadamente até agora, sustentados por estoques relativamente robustos e por um abastecimento adequado das safras anteriores", disse. Segundo Torero, os óleos vegetais têm apresentado pressão mais intensa de preços devido à valorização do petróleo e ao crescimento da demanda por biocombustíveis.
Açúcar registra queda
Na direção oposta, o Índice de Preços do Açúcar da FAO caiu 4,7% em abril na comparação mensal e acumulou recuo de 21,2% em relação ao mesmo período de 2025. De acordo com a entidade, a queda foi influenciada pela expectativa de ampla oferta global, especialmente após a melhora das perspectivas de produção em países asiáticos como China e Tailândia.
A FAO também apontou que o início da nova safra brasileira contribuiu para pressionar os preços internacionais do açúcar para baixo.


