FAO alerta para inflação global de alimentos provocado pelo conflito no Oriente Médio
Guerra iniciada por Estados Unidos e Israel contra o Irã causa aumento no preço de óleos vegetais, açúcar, cereais, carnes e laticínios
247 - O agravamento do conflito no Oriente Médio tem provocado alta nos preços globais de alimentos, pressionando cadeias de suprimento e elevando custos de energia e transporte, segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Em março, o índice de commodities alimentares atingiu 128,5 pontos, registrando avanço de 2,4% em relação a fevereiro, em meio a impactos logísticos e produtivos associados à guerra, informa o jornal O Globo.
De acordo com a FAO, o aumento reflete principalmente os efeitos indiretos do conflito sobre o sistema global de abastecimento. As tensões na região, especialmente envolvendo o Irã, têm afetado rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, fundamental para o transporte de insumos e commodities. Esse cenário tem elevado os custos de frete e energia, elementos essenciais para a produção e distribuição de alimentos em escala global.
O indicador da FAO — que acompanha os preços internacionais de grãos, carnes, laticínios, açúcar e óleos vegetais — avançou pelo segundo mês consecutivo. Após uma primeira alta em fevereiro, que interrompeu uma sequência de cinco meses de queda, o índice voltou a subir em março, reforçando a tendência de pressão inflacionária no setor.
Entre os produtos analisados, os maiores aumentos foram observados nos óleos vegetais e no açúcar. No entanto, também houve elevação nos preços de cereais, carnes e laticínios, indicando um movimento disseminado entre diferentes categorias de alimentos.
Embora o índice da FAO não reflita diretamente os preços ao consumidor final, ele é considerado um importante termômetro das tendências globais. A alta contínua sugere que os custos mais elevados nas etapas iniciais da cadeia produtiva podem se traduzir em inflação alimentar persistente nos próximos meses, especialmente diante do encarecimento de fertilizantes, energia e logística internacional.


