Empréstimos do Banco Master foram aplicados em fundos da Reag com retorno inferior, aponta BC
Relatório do Banco Central enviado ao MPF indica que operações suspeitas superaram o patrimônio do banco e tiveram rendimento abaixo do custo do crédito
247 - Um relatório do Banco Central (BC) encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF) aponta que empréstimos considerados suspeitos concedidos pelo Banco Master a 35 empresas foram direcionados a fundos com rendimento incerto e inferior ao custo das próprias operações de crédito. Segundo a autoridade monetária, o volume dessas transações chegou a mais de duas vezes o patrimônio de referência da instituição financeira no período analisado. As informações são do jornal O Globo.
O documento do BC detalha que os recursos captados por meio dos empréstimos eram, em sua maior parte, aplicados de forma compulsória em fundos de liquidez cuja remuneração não apenas era incerta, como se mostrou, em todos os casos, inferior ao custo do crédito contratado. “Os recursos tomados eram aplicados, em quase sua totalidade, de forma compulsória, em fundo de liquidez com remuneração incerta, a qual se revelou, em todos os casos, muito inferior ao custo da operação de crédito”, afirma o relatório.
Os dados reunidos pelo Banco Central indicam que cerca de R$ 10,5 bilhões, provenientes dessas operações de crédito, foram aplicados por 35 empresas em fundos administrados pela Reag Investimentos. Esses fundos estão sob investigação das autoridades por envolvimento em movimentações financeiras consideradas suspeitas. No mesmo período analisado pelo BC, o Banco Master apresentava um patrimônio de referência de R$ 4,7 bilhões.
Embora seja comum que o volume de empréstimos de um banco supere seu patrimônio e que a rentabilidade de fundos fique abaixo dos juros cobrados em operações de crédito, as autoridades apontam que, nos casos investigados, os empréstimos teriam servido como ponto de partida para uma cadeia de aplicações entre fundos. Essa sequência de operações, segundo os investigadores, acabava direcionando recursos para certificados de depósito bancário (CDBs) emitidos pelo próprio Banco Master.
Para os órgãos de investigação, há indícios de irregularidades tanto nessas movimentações em cadeia quanto na forma como a instituição financeira se alavancou para viabilizar as transações. O Banco Master não comentou o conteúdo do relatório. Procurada, a Reag Investimentos também não se manifestou especificamente sobre o caso, mas afirmou que “os recursos mencionados decorrem de operações de crédito estruturadas cujos desembolsos estavam vinculados ao avanço de projetos específicos” e que, “por determinação contratual, a liberação das parcelas só poderia ocorrer após a confirmação de marcos de execução e aprovação técnica desses projetos”.
A apuração sobre o Banco Master inclui ainda suspeitas de “reavaliação indevida” de ativos financeiros, prática que teria permitido a alguns fundos registrar o que o BC descreve como “rentabilidade extraordinária”. Conforme já revelou O Globo, o fluxo financeiro sob investigação tinha origem e destino no banco comandado por Daniel Vorcaro, que foi liquidado no fim do ano passado sob suspeita de fraude.
Entre as operações analisadas, uma delas chamou a atenção das autoridades por apresentar uma rentabilidade de 10.502.205,65% ao longo de 2024, índice considerado incompatível com padrões normais de mercado e que reforçou os indícios de irregularidades nas estruturas financeiras examinadas pelo Banco Central.


