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Estado de S. Paulo aponta crescimento patrimonial de Alexandre de Moraes após sua chegada ao STF

Levantamento indica que patrimônio imobiliário do ministro e de sua família triplicou desde 2017, com aquisições milionárias nos últimos anos

Estado de S. Paulo aponta crescimento patrimonial de Alexandre de Moraes após sua chegada ao STF (Foto: Ascom STF)

247 – O patrimônio imobiliário do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e de sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, apresentou forte expansão desde sua chegada à Corte, em março de 2017. Levantamento publicado pelo jornal Estado de S. Paulo aponta que o valor dos imóveis do casal saltou de R$ 8,6 milhões para R$ 31,5 milhões, uma alta de 266% no período.

De acordo com a reportagem do jornal Estado de S. Paulo, a família adquiriu 17 imóveis e desembolsou R$ 23,4 milhões apenas nos últimos cinco anos, em operações realizadas em Brasília e São Paulo, todas pagas à vista, conforme registros em cartório. Moraes e Viviane foram procurados por meio de suas assessorias desde o dia 27 de março, mas não responderam aos questionamentos.

Os dados se baseiam em contratos oficiais obtidos pelo veículo e consideram os valores nominais pagos na aquisição de casas, apartamentos, terrenos e salas comerciais que compõem atualmente o patrimônio do casal. O montante atual supera em mais de três vezes os bens imobiliários declarados quando Moraes foi indicado ao STF pelo então presidente Michel Temer.

Antes de assumir o cargo no Supremo, Moraes recebia salário em torno de R$ 33 mil. Atualmente, seus vencimentos chegam a R$ 46 mil, o que representa um crescimento de 39% na remuneração do cargo ao longo do período. Antes de integrar a Corte, ele também exerceu funções como ministro de Estado, secretário estadual e municipal, além de ter atuado no Ministério Público, sempre com rendimentos próximos ao teto do funcionalismo público.

Viviane Barci de Moraes é sócia-administradora do escritório Barci de Moraes Advogados, que mantém em sociedade com os filhos do casal. Segundo o levantamento, a atuação da advogada em tribunais superiores cresceu significativamente após a nomeação do marido ao STF, passando de 27 para 152 processos no Supremo e no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O estudo também revela que, ao longo de 29 anos, o casal investiu R$ 34,8 milhões na aquisição de 27 imóveis. Parte desses ativos foi posteriormente vendida, o que explica a diferença entre o total investido e o patrimônio atual, estimado em R$ 31,5 milhões. Ainda assim, o crescimento mais expressivo se concentra nos últimos anos, já com Moraes no STF.

Desde 2021, os investimentos imobiliários somaram R$ 23,4 milhões, o equivalente a mais de 67% de todos os aportes realizados pelo casal no setor ao longo de quase três décadas. Boa parte dessas operações foi conduzida por meio do Lex Instituto de Estudos Jurídicos, empresa utilizada pela família para administrar seus bens.

Embora Alexandre de Moraes não figure formalmente como sócio da empresa, ele é casado sob o regime de comunhão parcial de bens, o que implica compartilhamento patrimonial das aquisições realizadas durante o casamento. O Lex Instituto tem como sócios Viviane e os dois filhos do casal.

Entre as aquisições recentes, destaca-se um apartamento de 86 metros quadrados no bairro Jardim Paulista, em São Paulo, comprado por R$ 1,05 milhão. Segundo os registros, parte do valor foi paga como sinal e o restante quitado à vista por meio de transferência bancária.

Outro destaque é a compra de uma mansão de 776 metros quadrados no Lago Sul, área nobre de Brasília, adquirida por R$ 12 milhões em agosto do ano passado. O pagamento foi dividido entre sinal e transferência final para quitação integral.

O casal também adquiriu um apartamento de alto padrão em Campos do Jordão, que se soma a outro imóvel no mesmo condomínio. Juntas, as unidades totalizam 727 metros quadrados e custaram R$ 8 milhões.

Na capital paulista, a família mantém sete imóveis, incluindo dois apartamentos no bairro Jardim América, comprados em 2021 por R$ 3 milhões cada, também pagos à vista. Além disso, possui quatro lotes em São Roque, no interior de São Paulo.

A expansão patrimonial coincide com a ampliação das atividades do escritório de advocacia da família. Em 2025, o escritório adquiriu uma sala comercial em Brasília por R$ 350 mil, como parte de sua estratégia de expansão na capital federal.

Segundo o jornal Estado de S. Paulo, Viviane afirmou ter prestado serviços jurídicos nas áreas de compliance e direito criminal a uma instituição financeira entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, com pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões. Ao longo de 21 meses, o faturamento teria alcançado ao menos R$ 75,6 milhões.

Especialistas ouvidos pela reportagem avaliaram que esse tipo de serviço, no mercado, não costuma ultrapassar R$ 10 milhões em grandes escritórios.

A reportagem também aponta que algumas transações envolveram advogados com atuação no STF. Em um dos casos, um imóvel no Guarujá foi vendido por R$ 1,4 milhão a um advogado com processos na Corte. O comprador declarou que não possui relação pessoal com o ministro e afirmou que adquiriu o bem de uma pessoa jurídica, sem contato direto com Moraes.

Outro imóvel comercial do escritório da família foi adquirido de uma advogada com atuação no STF, embora sem processos sob relatoria do ministro.

O conjunto das informações evidencia a aceleração das aquisições imobiliárias da família nos últimos anos, em paralelo ao período em que Alexandre de Moraes passou a ocupar uma das cadeiras mais relevantes do Judiciário brasileiro.

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