EUA não vão considerar posição do Brasil sobre não classificar facções como organizações terroristas, diz Lincoln Gakiya
Promotor diz que teve encontros com assessores do governo Trump e que posição do Brasil não deverá influenciar a decisão dos EUA
247 - A possibilidade de os Estados Unidos classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas voltou ao centro das discussões entre autoridades brasileiras e norte-americanas. O tema vem sendo analisado em Washington e mobiliza autoridades de segurança dos dois países.
Segundo o G1, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya afirmou que a posição do governo brasileiro não deverá influenciar a decisão dos Estados Unidos sobre a eventual classificação das facções como organizações terroristas.
Cooperação internacional contra o PCC
Nos últimos meses, Gakiya participou de encontros com assessores próximos do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. De acordo com o promotor, representantes do governo norte-americano buscaram compreender com mais profundidade o funcionamento da facção criminosa.
"Eles queriam conhecer o funcionamento do PCC", afirmou.
Ainda segundo o promotor, representantes dos Estados Unidos estiveram no ano passado em Brasília e em São Paulo para obter informações detalhadas sobre a atuação do grupo criminoso e seus impactos dentro e fora do Brasil.
Nesta semana, Gakiya deve voltar a se reunir com representantes do governo norte-americano para compartilhar dados sobre o crime organizado e a atuação da facção paulista.
Debate sobre terrorismo nos EUA
A nova rodada de conversas deverá alinhar os temas que estarão na pauta de um encontro previsto com a DEA (Drug Enforcement Administration), o FBI (Federal Bureau of Investigation) e o Departamento de Estado dos Estados Unidos, em Boston, no estado de Massachusetts, ainda neste mês.
O relatório produzido pelo Ministério Público de São Paulo tem sido apresentado a embaixadas e consulados de diferentes países como parte de iniciativas de cooperação internacional no combate a crimes transnacionais.
Expansão internacional da facção
Entre os pontos que mais chamam a atenção de autoridades brasileiras e estrangeiras está a expansão do PCC para outros países. Investigadores apontam que integrantes da facção têm buscado não apenas viajar para o exterior, mas também estabelecer residência fixa e atuar em sistemas prisionais fora do Brasil.
A infiltração em cadeias estrangeiras é considerada por investigadores uma das principais estratégias da organização criminosa para ampliar sua influência internacional.
Diferença entre terrorismo e crime organizado
Apesar do debate em Washington, Lincoln Gakiya avalia que o PCC e o Comando Vermelho devem ser classificados como organizações criminosas transnacionais, e não como grupos terroristas.
"O PCC é uma organização mafiosa, com atuação transnacional em mais de 28 países, pratica atos de natureza terrorista, como se viu em São Paulo nos ataques de 2006. Mas não tem objetivos políticos ou ideológicos, como os de ódio racial, de etnia ou religioso. O objetivo é de dominação territorial e lucro com negócios ilícitos", declarou o promotor.
Reunião entre Lula e Donald Trump
Enquanto o debate avança nos Estados Unidos, o governo brasileiro tenta adiar a formalização da proposta até que ocorra um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
De acordo com fontes diplomáticas, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, telefonou ao secretário de Estado Marco Rubio para pedir que a proposta não seja enviada ao Congresso norte-americano antes da reunião entre os dois presidentes.
Caso o processo seja encaminhado ao Parlamento dos Estados Unidos, os congressistas terão sete dias para analisar a classificação das facções como organizações terroristas.
O governo brasileiro pretende apresentar aos Estados Unidos, durante o encontro entre Lula e Donald Trump, as ações realizadas no combate ao crime organizado no país. A visita oficial à Casa Branca chegou a ser cogitada para março, mas ainda não há uma data definida para a reunião.


