Ex-diretor do BC recebeu R$ 3 mi do Banco Master
Transferência à empresa de ex-chefe de regulação do BC foi declarada à Receita e está sob análise da CPI do Crime Organizado
247 - Uma empresa ligada a um ex-chefe de regulação do Banco Central (BC) recebeu R$ 3 milhões do Banco Master em 2025, conforme dados declarados à Receita Federal e encaminhados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, instalada pelo Senado. O documento do Imposto de Renda da instituição financeira detalha o repasse feito à empresa JGM Solutions. As informações são da CNN Brasil
Empresa foi aberta após saída do BC
A JGM Solutions pertence a João André Calvino Marques Pereira, ex-chefe do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do BC. A empresa foi criada em fevereiro de 2025, com sede em Taguatinga (DF), após sua saída do Banco Central.
Calvino ocupou o cargo entre 2018 e 2023, atravessando as gestões de Ilan Goldfajn e Roberto Campos Neto. Após um período de licença, deixou definitivamente a instituição em junho do ano passado.
Atuação no BC e relação com o Banco Master
Durante sua gestão, o Departamento de Regulação (Denor) participou da aprovação da compra do Banco Máxima por Daniel Vorcaro, operação que resultou na atual estrutura do Banco Master. O ex-dirigente também teve atuação em pautas como “Open Banking” e na sintonia do sistema financeiro com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Consulta sobre conflito de interesses
Antes de deixar o cargo, Calvino consultou a Comissão de Ética Pública (CEP), vinculada à Presidência da República, sobre possíveis conflitos de interesse e regras de quarentena após sua saída do BC. O parecer indicava que ele pretendia atuar como executivo em empresa de gestão de riscos e que não havia, naquele momento, vínculo com quem apresentou a proposta de trabalho.
Repasse milionário à consultoria
Após a consulta, o ex-servidor abriu a empresa de consultoria com capital social declarado de R$ 10 mil. No ano seguinte, a JGM Solutions recebeu R$ 3 milhões do Banco Master, conforme dados informados à Receita Federal.
A reportagem tentou contato com a defesa de João André Calvino Marques Pereira e com o Banco Central, mas não obteve retorno.


