'Campos Neto ignorou alertas do mercado financeiro sobre Banco Master', diz Haddad
Ex-ministro afirma que alertas foram ignorados pelo então presidente do BC
247 - O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad afirmou que alertas do mercado financeiro sobre irregularidades no Banco Master foram ignorados pela direção do Banco Central. Em entrevista ao SBT News, Haddad desacou que as instituições reguladas teriam comunicado o problema com antecedência, mas as denúncias não foram devidamente consideradas pela autoridade monetária. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 e é investigado por fraudes financeiras bilionárias.
Alertas ignorados
De acordo com Haddad, executivos do setor financeiro relataram, ainda durante sua passagem pelo Ministério da Fazenda, que sucessivos avisos estavam sendo desconsiderados pela cúpula do Banco Central, incluindo o então presidente da instituição, Roberto Campos Neto.
“Houve alertas, inclusive, ao ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sobre o que vinha acontecendo em relação ao Banco Master. Alertas do mercado, dos bancos regulados, que em audiência comigo me relataram que muitos avisos vinham sendo feitos e ignorados”, disse.
Maior fraude bancária do país
O ex-ministro classificou o episódio como “a maior fraude bancária da história do país”, diante da dimensão das irregularidades investigadas. O caso segue sob apuração em inquéritos que buscam esclarecer a extensão dos prejuízos e as responsabilidades envolvidas.
Haddad também mencionou suspeitas de pagamento de propina ligadas ao caso. Segundo ele, há relatos de que uma empresa associada a um ex-diretor do Banco Central teria recebido cerca de R$ 3 milhões do Banco Master.
Investigações e responsabilidade
Ao comentar a atuação da autoridade monetária, Haddad destacou que, até o momento, não há comprovação de dolo por parte de Roberto Campos Neto. “O Galípolo está dizendo: não há nenhuma auditoria apontando dolo, apontando culpa do Roberto Campos nesse momento. Mas as investigações vão prosperar para saber a cadeia de responsabilização dentro do Banco Central para a coisa ter tomado a proporção que tomou”, afirmou.
Na véspera das declarações, o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, prestou depoimento à CPI do Crime Organizado. Durante a oitiva, ele afirmou que auditorias internas e processos de sindicância não identificaram responsabilidade direta de Campos Neto no escândalo envolvendo o Banco Master.


