Lindbergh detona Galípolo: tentou blindar Campos Neto
De acordo com o deputado, o controle interno do Banco Central falhou e diz que investigação externa rompeu suposta blindagem
247 - O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acusou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, de atuar para proteger Roberto Campos Neto em meio às investigações relacionadas ao caso do Banco Master. A declaração foi feita nesta quarta-feira (8) em publicação nas redes sociais.
As críticas foram divulgadas publicamente pelo parlamentar, que reagiu a declarações de Galípolo sobre a ausência de responsabilização interna do ex-presidente do Banco Central. O posicionamento reforça o debate político sobre a condução das apurações envolvendo a instituição financeira.
Na avaliação de Lindbergh, a postura de Galípolo indica fragilidade nos mecanismos internos de controle. “Ao afirmar que não existe auditoria, sindicância ou conclusão interna que aponte responsabilidade do ex-presidente do Banco Central, ele (Galípolo) demonstra que o controle interno é insuficiente e pode servir de escudo para proteger quem comandava a instituição quando decisões e omissões favoreceram o ambiente em que o caso Master prosperou”, escreveu.
O deputado também questionou a eficácia das investigações internas do Banco Central. Segundo ele, apenas essas apurações não seriam suficientes para responsabilizar envolvidos. “se dependesse apenas das auditorias e sindicâncias internas do Banco Central, Paulo Sérgio e Beline Santana, servidores do BC com chefia na área de supervisão bancária, indicados por Roberto Campos Neto e que colaboraram com as fraudes no Master, não estariam de tornozeleira eletrônica”.
Lindbergh afirmou ainda que Campos Neto recebeu alertas de diferentes instituições e não adotou medidas efetivas. “Roberto Campos Neto recebeu inúmeros alertas do Fundo Garantidor de Créditos, da Febraban e até questionamentos formais da Polícia Federal, e a resposta institucional foi sempre a mesma: apuração preliminar, nenhuma ilegalidade e preservação da cúpula. Foi na gestão de Roberto Campos Neto, em outubro de 2023, que foi editada norma sobre precatórios, permitindo que o Banco Master não ajustasse seu balanço e que evitou a intervenção, apesar de alertas sobre riscos de liquidez”, declarou.
O parlamentar destacou que o avanço das investigações ocorreu fora do âmbito do Banco Central. “A investigação que realmente rompeu essa blindagem veio de fora. É a investigação externa, com independência, poder de polícia e capacidade de responsabilização, que consegue enfrentar o corporativismo e seguir a trilha dos fatos”.
Por fim, Lindbergh informou que tomou medidas para ampliar as apurações. “Por isso, ingressei com várias representações na Polícia Federal para avançar na apuração sobre a blindagem de Roberto Campos Neto, sobre os atos que favoreceram o Banco Master e sobre a rede de decisões, omissões e proteções que operou dentro do Banco Central”.


