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Ex-diretor preso no escândalo do INSS liberou consignados do Digimais

Banco de Edir Macedo, alvo da PF, recebeu aval para operar empréstimos consignados por acordo assinado por André Fidelis em 2024

Ex-diretor preso no escândalo do INSS liberou consignados do Digimais (Foto: Reprodução | Divulgação )
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247 - O ex-diretor de Benefícios do INSS André Paulo Felix Fidelis, preso no âmbito das investigações sobre o escândalo de fraudes no instituto, assinou o acordo que permitiu ao Banco Digimais operar empréstimos consignados junto a beneficiários da Previdência. A instituição financeira, ligada ao bispo Edir Macedo, tornou-se alvo da Polícia Federal em uma apuração sobre suspeitas de fraudes financeiras, informa o Metrópoles.

Fidelis foi o representante do INSS responsável por assinar o documento que autorizou o banco a atuar no segmento de consignados. O acordo, com validade de cinco anos, foi publicado no Diário Oficial da União em 2024.

Preso desde novembro do ano passado, André Fidelis é suspeito de ter recebido R$ 3,4 milhões em propinas entre 2023 e 2024 de operadores envolvidos no esquema conhecido como Farra do INSS. Pelo lado do Digimais, um dos signatários do acordo foi o diretor João Alvos de Campos, que também foi alvo de mandado de busca e apreensão na Operação Miragem, deflagrada pela Polícia Federal.

A Operação Miragem colocou o Digimais no centro das investigações na terça-feira (23). A PF cumpriu nove mandados de busca e apreensão e obteve autorização judicial para quebrar os sigilos bancário e fiscal dos investigados. A apuração mira suspeitas de manipulação de balanços, fraudes em registros regulatórios e suposta inflação artificial de ativos para esconder a real situação financeira da instituição.

O banco já enfrentava dificuldades financeiras quando recebeu autorização para operar consignados. Esse tipo de crédito costuma ser considerado mais seguro para as instituições financeiras porque as parcelas são descontadas diretamente da folha de pagamento ou do benefício previdenciário. Por esse motivo, os juros tendem a ser menores que os de outras modalidades e a operação pode reforçar a liquidez de bancos em momentos de crise.

Desde a pandemia de Covid-19, o Digimais vinha sendo impactado por problemas de inadimplência e perda de liquidez. Relatórios de 2023 e 2024 indicaram que a instituição precisou receber aportes financeiros de Edir Macedo para evitar uma quebra. Em janeiro de 2025, o Banco Central rejeitou a venda do Digimais para o BlueBank, de Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master e investigado pela PF em apurações relacionadas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e seus parceiros.

Além do acordo com o INSS, o Digimais ampliou sua presença no mercado de consignados em São Paulo. Entre outubro de 2023 e janeiro de 2026, o banco firmou contratos com institutos de previdência municipais para oferecer empréstimos consignados em ao menos dez cidades paulistas, entre elas Tupã, Pindamonhangaba, Praia Grande, São Sebastião, Ubatuba, Tambaú, Guarulhos, São Roque, São José do Rio Preto e a capital paulista.

No governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), o banco chegou a ter um pedido de credenciamento negado para operar empréstimos consignados. Em novembro de 2023, despacho publicado no Diário Oficial afirmou que o Digimais não atendia às exigências previstas no Decreto nº 60.435/2014 e em normas posteriores. A posição, porém, foi modificada no ano seguinte.

Em junho de 2025, o secretário Caio Mário Paes de Andrade, responsável pela pasta de Gestão e Governo Digital, autorizou o credenciamento do Digimais como consignatário. A autorização também incluiu operações de empréstimo bancário, cartão de benefício e cartão de crédito.

Edir Macedo não foi alvo dos mandados de busca e apreensão porque não reside no Brasil. Ainda assim, a Justiça determinou a quebra de seu sigilo bancário e o bloqueio de seus bens. A suspeita central da investigação é que o Digimais tenha fraudado informações contábeis e regulatórias para mascarar sua situação financeira e ocultar riscos ao sistema financeiro.

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