Coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro aconselhou Digimais, investigado pela PF
Daniella Marques integrou conselho do banco de Edir Macedo, alvo de operação por suspeitas de gestão fraudulenta e ligação com o Banco Master
247 - A coordenadora econômica da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Daniella Marques, integrou o Conselho de Administração do Banco Digimais — instituição que passou a ser investigada pela Polícia Federal por suspeitas de irregularidades financeiras, relata Andreza Matais, do Metrópoles.
Daniella participou do conselho do banco entre fevereiro de 2024 e 8 de dezembro de 2025, período anterior às ações recentes da PF contra executivos da instituição. O banco é controlado pelo bispo Edir Macedo e foi alvo da Operação Miragem, que apura possíveis crimes financeiros. Daniella não foi alvo.
A ofensiva policial incluiu medidas como a quebra de sigilos bancário e fiscal de Edir Macedo, além de uma ordem judicial para bloqueio de até R$ 670 milhões de investigados. A PF aponta que o Digimais teria mantido créditos considerados de “origem duvidosa” e adotado estratégias de captação com taxas acima do padrão de mercado, o que pode indicar práticas de gestão temerária ou fraudulenta.
Outro ponto sob investigação envolve a relação do Digimais com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, que foi preso pela Polícia Federal. O Digimais teria investido cerca de R$ 600 milhões em carteiras de crédito vinculadas ao Master. Para os investigadores, há indícios de que as duas instituições adotaram métodos semelhantes de operação financeira.
Em comunicado, a PF afirmou que “os investigados teriam manipulado demonstrativos contábeis e registros regulatórios para ocultar a real situação financeira da instituição, para aparentar solvência perante os órgãos de controle e para viabilizar operações supostamente irregulares”. A corporação também destacou que o banco teria replicado práticas do Banco Master, incluindo a superavaliação de ativos e a emissão de títulos com rentabilidade acima dos padrões de mercado.
Ainda de acordo com a investigação, houve crescimento expressivo nos ativos da controladora do Digimais, a B.A. Empreendimentos e Participações S.A., que saltaram de R$ 785 milhões em 2024 para R$ 1,8 bilhão em 2025. Parte desse aumento estaria relacionada a uma operação considerada fora das condições usuais de mercado, envolvendo a compra de R$ 741 milhões em cotas de um fundo ligado ao próprio banco.
O Conselho de Administração do Digimais, do qual Daniella Marques fazia parte, foi extinto em dezembro de 2025, antes do fim previsto de seu mandato. Após a saída dos conselheiros, foram realizadas operações financeiras que também passaram a ser analisadas pelos investigadores.
Daniella Marques tem trajetória no setor público e privado. Ela presidiu a Caixa Econômica Federal em 2022, durante o governo Jair Bolsonaro (PL), e anteriormente integrou a equipe do então ministro da Economia, Paulo Guedes. Em 2018, chegou a prestar depoimento no âmbito da Operação Greenfield, mas o caso foi posteriormente arquivado pela Justiça.
Neste ano, a economista deixou a consultoria Legend Capital para assumir a coordenação do programa econômico da pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Ela afirmou que não pretende ocupar o cargo de ministra da Fazenda ou da Economia em eventual governo do senador.



