Ex-dirigente do PRTB é denunciado por violência política de gênero e fraude interna
Ministério Público acusa ex-presidente da sigla ligada a Pablo Marçal de liderar esquema para controlar partido e constranger dirigente mulher
247 - O ex-presidente nacional do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), Leonardo Alves de Araújo, conhecido como Léo Avalanche, foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por violência política de gênero e fraude em eleição interna da legenda. A denúncia foi apresentada na quinta-feira (29) e aponta que os crimes teriam ocorrido entre fevereiro e abril de 2024, período marcado por uma intensa disputa pelo controle do partido que lançou o empresário e influenciador Pablo Marçal na corrida pela Prefeitura de São Paulo, relata o Metrópoles.
De acordo com o promotor de Justiça Eleitoral Renato Kim Barbosa, Avalanche e outros seis investigados teriam articulado um esquema para fraudar a eleição interna do PRTB, realizada em 23 de fevereiro de 2024. A denúncia sustenta que o grupo recrutou dezenas de pessoas para se passarem por fundadores da sigla, utilizando documentos falsificados e assinaturas treinadas com o objetivo de burlar a fiscalização da Justiça Eleitoral e garantir a vitória no pleito partidário.
As investigações indicam que cédulas de identidade falsas, contendo fotos e dados de fundadores reais do partido, foram apresentadas para validar votos registrados em urnas eletrônicas. O Ministério Público afirma que a estratégia foi cuidadosamente planejada para dar aparência de legalidade ao processo e assegurar a tomada do comando do PRTB.
Além das suspeitas de fraude, a denúncia também detalha episódios de violência política de gênero contra Rachel de Carvalho, então vice-presidente nacional do partido. Segundo o MP, o grupo tentou expulsá-la da legenda, e Avalanche é acusado de assediar, ameaçar e constranger a dirigente, explorando sua condição de mulher para dificultar o exercício de suas funções.
Em reuniões presenciais, segundo a acusação, ele teria proferido ofensas de cunho misógino, incluindo a frase literal: “mulher só serve para cumprir cota”. Ainda conforme a denúncia, Rachel teria sido pressionada a participar de esquemas de extorsão contra prefeitos e outros políticos, além de sofrer intimidações constantes.
O documento do Ministério Público relata também ameaças de morte. Em um dos episódios descritos, Avalanche teria orientado a dirigente a se despedir de familiares, afirmando que ela seria morta ao receber um determinado código. Em outra situação, a vítima teria sido forçada a assinar uma renúncia digital sob intenso assédio psicológico.
A investigação ainda aponta o uso irregular de sistemas da Justiça Eleitoral para afastar integrantes da oposição interna. Com o uso de senhas indevidas, os denunciados teriam filiado Rachel e outros membros do PRTB, sem autorização, a outro partido, o Mobiliza, o que resultou automaticamente no desligamento da sigla original. Perícias digitais também identificaram a publicação de editais com datas falsas no site do partido, criando a aparência de que reuniões e punições internas haviam seguido os trâmites legais.
A denúncia menciona ainda um suposto relato de Leonardo Alves de Araújo sobre vínculos com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Em um áudio gravado em fevereiro de 2024 e divulgado meses depois, Avalanche teria feito a afirmação durante conversa com Thiago Brunelo, filho de um dos fundadores do PRTB, em meio à disputa interna que culminou em intervenção do Tribunal Superior Eleitoral na legenda. Questionado à época, ele negou qualquer ligação com a facção criminosa e afirmou não reconhecer a própria voz na gravação.
Procurado pelo Metrópoles, Leonardo Alves de Araújo informou que foi ouvido em 13 de janeiro pelo delegado da Polícia Federal responsável pelo inquérito e que todas as questões teriam sido esclarecidas. Ele alegou que a denúncia faz parte de uma ação orquestrada por uma quadrilha especializada em “usurpar” partidos políticos e defendeu a regularidade do processo interno do PRTB.
Sobre a eleição, Avalanche declarou: “Foi a eleição mais segura do Brasil, realizada pelo TSE, dentro do TRE-DF, com a presença do Ministério Público, TSE, TRE, OAB e forte amparo policial. A votação ocorreu por urna eletrônica fornecida pelo TSE. Posso afirmar que ninguém conseguiria fraudar essa eleição”.


