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Inelegível até 2032, Pablo Marçal dá curso para quem quer concorrer nas eleições

Mesmo impedido de disputar eleições, empresário ligado ao PRTB atua em projeto de estratégia digital para campanhas

Pablo Marçal (Foto: Reprodução/Instagram de Pablo Marçal via ABr)

247 - Declarado inelegível pela Justiça Eleitoral até 2032, o empresário e influenciador Pablo Marçal (PRTB) iniciou uma nova atuação no campo político ao oferecer serviços de consultoria a pré-candidatos interessados nas próximas disputas eleitorais. A iniciativa se volta especialmente a estratégias digitais e organização de campanhas, mesmo após a condenação que o impede de concorrer a cargos eletivos. As informações são da CBN.

O projeto é conduzido por Filipe Sabará, que integrou a coordenação da campanha do influenciador à Prefeitura de São Paulo e atualmente atua na interlocução do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com empresários da região da Faria Lima.

Segundo os registros oficiais, Sabará abriu no ano passado duas empresas voltadas às áreas de publicidade e treinamento político. Uma delas é a Unipoli, abreviação de “Universidade Política”, que comercializa cursos online pelo valor de R$ 496. Na apresentação da plataforma, a justificativa é de que “infelizmente esse assunto não é ensinado adequadamente nas escolas e quando ministram é feito de forma ideológica”.

A proposta foi apresentada publicamente em novembro do ano passado, durante um evento realizado em Alphaville com o título “Como destravar o Brasil”. A reportagem apurou que a consultoria faz parte de uma frente denominada “Máquina de votos”, com identidade visual própria e foco declarado na chamada “ação digital”. Embora Sabará não tenha informado quem são os clientes, afirmou que há interessados em candidaturas tanto ao Legislativo quanto ao Executivo.

Durante a palestra de novembro, Marçal fez declarações que chamaram atenção pelo teor agressivo. Em fala registrada no evento, afirmou: “Deixa eu falar uma coisa, eu estou esperando ninguém fazer nada não, eu estou levantando um batalhão já faz tempo. Essa eleição agora, nós vamos tomar o parlamento inteiro. Eu vou liberar várias coisas na próxima eleição, nós vamos fazer festa no Brasil inteiro. O estado que não tiver nenhum prefeito do PT nós vamos matar, assim, umas cem cabeças de gado, fazer um terror, festa de sete dias em cada estado onde não tiver esse povo”.

A página do empreendimento no Instagram ainda tem alcance limitado, com pouco mais de duas dezenas de seguidores. Entre eles está o ex-deputado estadual Frederico D’Ávila (PL-SP), ligado ao agronegócio paulista. Procurado, ele confirmou que mantém negociações e afirmou estar aguardando o envio de uma proposta formal. D’Ávila tentou se eleger deputado federal há quatro anos, após desgaste na Assembleia Legislativa por ofensas ao Papa Francisco, mas não obteve êxito nas urnas.

Também aparecem entre os seguidores perfis associados ao PP de São Paulo. O presidente estadual da sigla, deputado federal Maurício Neves, não esclareceu se mantém vínculo com a iniciativa.

Marçal concorreu à Prefeitura de São Paulo em 2024 e ficou marcado por uma campanha repleta de episódios controversos. Ao longo do período eleitoral, acusou o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) de uso de cocaína sem apresentar provas, o que culminou na divulgação de um laudo falso às vésperas do primeiro turno. Ele também se envolveu em tumultos em debates, teve um assessor acusado de agredir o marqueteiro de Ricardo Nunes (MDB) e acabou atingido por uma cadeirada desferida por José Luiz Datena (PSDB).

Em determinado momento da campanha, Marçal afirmou que precisou “agir como um idiota” para ganhar visibilidade em uma disputa na qual dispunha de menos recursos financeiros do que os adversários, representando o pequeno PRTB. Ele terminou o pleito em terceiro lugar, por margem estreita de votos.

Posteriormente, foi condenado em primeira e segunda instâncias à inelegibilidade, em razão dos chamados “campeonatos de cortes” promovidos na plataforma Discord durante a pré-campanha. A prática envolvia o compartilhamento massivo de vídeos por contas anônimas, sob promessa de ganhos financeiros, com o objetivo de viralização. Marçal informou que pretende recorrer da decisão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Além de Sabará e de Marçal, aparecem como professores dos cursos Rodrigo Kherlakian, que se apresenta nas redes sociais como empreendedor e filósofo estoico, e Daniel Gonzales, empresário que divulga o uso de técnicas de neurociência na educação e administra uma página de extrema direita no Twitter. Apesar disso, apenas Sabará figura como sócio-administrador das empresas. A assessoria de Marçal confirmou, porém, que o influenciador participa ativamente da comercialização dos serviços.

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