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“Sem bancada forte, Lula ganha, mas não governa”, diz Pedro Rousseff

Vereador de Belo Horizonte afirma que a reeleição depende também de eleger deputados federais alinhados

“Sem bancada forte, Lula ganha, mas não governa”, diz Pedro Rousseff (Foto: Divulgação | Marcelo Camargo/Agência Brasil)

247 - A disputa política de 2026, na avaliação do vereador Pedro Rousseff (PT), tende a recolocar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como favorito nas urnas — mas com um obstáculo decisivo: a correlação de forças no Congresso. Para o parlamentar, a eleição presidencial pode ser vencida, porém o governo corre o risco de ficar travado caso Centrão e extrema direita ampliem o controle da Câmara, dificultando a votação de projetos e até do Orçamento.

As declarações foram dadas por Pedro Rousseff em entrevista à TV 247, onde o vereador, que se apresenta como o mais votado da história do PT mineiro para a Câmara Municipal de Belo Horizonte, defendeu a mobilização do partido para ampliar bancadas e dar sustentação política ao governo Lula.


“Não adianta só votar no presidente Lula”, afirma vereador

Ao longo da conversa, Pedro Rousseff insistiu que a estratégia eleitoral do campo progressista precisa ir além da escolha para o Planalto. Em uma das falas centrais, ele resumiu o que considera o maior desafio político do próximo ciclo:

“Eu acho que o presidente Lula será reeleito no primeiro turno. Mas o risco que nós temos é o presidente Lula ganhar as eleições, mas não levar.”

Na sequência, o vereador argumentou que, sem uma base parlamentar robusta, a administração federal pode ser submetida à barganha permanente:

“Se o centrão e a extrema direita conseguirem fazer maioria na Câmara dos Deputados, o presidente Lula não vai governar, não vai aprovar projeto, não vai aprovar nem orçamento.”

Ele também fez um apelo direto por votos em deputados alinhados ao governo:

“Não adianta só a gente votar no no presidente Lula. Nós temos que votar em deputados federais do presidente Lula, senão o nosso voto não vai valer nada.”

Para sustentar o ponto, Pedro evocou a memória do embate institucional no governo Dilma Rousseff, ao mencionar a presidência da Câmara durante o processo que culminou no afastamento da então presidenta.

Juventude, redes sociais e “guerra digital”

O vereador atribui parte do avanço da extrema direita à eficiência nas redes e à capacidade de influenciar jovens, citando nomes como Nikolas Ferreira e Pablo Marçal. Para ele, a esquerda demorou a compreender a centralidade das plataformas na disputa política:

“O nosso campo passou muito tempo negando as redes sociais.”

Ao defender uma comunicação mais direta e adaptada ao ambiente digital, ele explicou o que considera ser uma linguagem eficaz:

“Não tem espaço hoje nas redes sociais para textão, não tem espaço para vídeos longos. Nós temos que ter uma comunicação que é direta para as pessoas.”

No exemplo apresentado, Pedro afirmou que políticas públicas precisam ser traduzidas em mensagens curtas e compreensíveis:

“Se a gente faz uma comunicação, um vídeo de 30, 40 e 50 segundos numa linguagem rápida, dinâmica, simples e direta, esse vídeo chega para mais pessoas.”

O parlamentar também defendeu reação rápida a desinformação, citando um caso que, segundo ele, se tornou recorrente no debate público:

“A gente não pode perder a guerra digital pro Nicolas quando ele faz um vídeo falando que, por exemplo, Lula vai tachar o Pix.”

Projetos em Belo Horizonte: bets, educação midiática e tarifa zero

Na entrevista, Pedro Rousseff afirmou que, embora atue no Legislativo municipal, seu mandato acompanha pautas nacionais e enfrenta iniciativas que ele associa à extrema direita. Como exemplo local, citou uma proposta que, segundo ele, buscava restringir o funk na capital mineira.

Entre as iniciativas destacadas por ele, estão projetos voltados à regulação de publicidade de apostas e à educação midiática nas escolas. Sobre as bets, o vereador afirmou que Belo Horizonte teria saído na frente com um texto aprovado em primeiro turno para limitar propaganda de jogos de azar no município:

“Belo Horizonte foi a primeira cidade no Brasil inteiro a aprovar em primeiro turno um projeto de minha autoria que limita a publicidade das bets em nosso território municipal.”

Na justificativa, ele associou o tema a impactos sociais e de saúde:

“Incrível como tantas famílias estão perdendo a sua renda, a sua dignidade. Pessoas jovens, mas pessoas de mais idade também, que ficaram viciadas nesse tipo de jogo de azar e que estão perdendo tudo.”

Já sobre o ensino de educação midiática, Pedro disse que a proposta mira a formação de crianças e adolescentes para identificar notícias falsas e riscos online:

“Um ensino que é midiático dentro das escolas para poder preparar a nossa juventude para poder rodear esse mundo online, que é muito bom, mas é muito perigoso também.”

Ele ainda mencionou participação em um projeto ligado à tarifa zero no transporte público, conectando a pauta à agenda social do governo federal e ao custo de vida.

Críticas a Zema e alerta sobre privatização da Copasa

Questionado sobre o cenário mineiro, Pedro Rousseff criticou o governador Romeu Zema, que chamou de adversário direto de Lula em 2026, e atacou a política fiscal do estado. Também afirmou que a privatização da Copasa seria um risco para a população, citando aumento recente nas contas de água:

“A gente viu a Copasa dando um reajuste de quase 12% das contas de água e ela nem foi privatizada ainda.”

Na avaliação do vereador, a venda da companhia levaria a aumentos ainda maiores:

“Quando ela for privatizada, que infelizmente será, a gente vai ter ali um reajuste de 20, 30, quem sabe 40% na conta de água.”

Ele associou o avanço de privatizações à falta de uma maioria progressista na Assembleia Legislativa e retomou o argumento de que, no plano nacional, a governabilidade também dependerá do tamanho das bancadas alinhadas ao governo.

“A força dele não é só dele”, diz sobre Lula e a militância

Ao comentar suas viagens por Minas Gerais, Pedro disse enxergar disposição popular para reeleger Lula, mas reforçou que o trabalho de base precisa continuar. Em um dos trechos, valorizou o papel da militância petista e a capilaridade do partido no interior:

“A força dele não é só dele, a força é dos nossos filiados e dos nossos militantes.”

Já na reta final, o vereador afirmou que sua principal meta política é contribuir para uma votação expressiva de Lula em Minas e, sobretudo, para ampliar a bancada federal que dê sustentação ao governo:

“Meu maior objetivo nesse ano é conseguir dar a maior votação pro presidente Lula em Minas Gerais, é conseguir eleger ele em primeiro turno e conseguir dar pro presidente Lula também uma eleição com uma grande bancada de deputados federais.”

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