HOME > Brasil

Flávio Bolsonaro é considerado figura contaminada por sua base política

Desgaste na própria base expõe colapso da candidatura de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro é considerado figura contaminada por sua base política (Foto: Brasil 247 / Dall-E)
Selo Fonte Preferida no Google do Brasil 247

247 - Flávio Bolsonaro enfrenta desgaste crescente na própria base bolsonarista após a revelação de negócios envolvendo o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro. A crise envolvendo Daniel Vorcaro amplia a resistência a Flávio Bolsonaro entre setores considerados estratégicos para a direita, como mercado financeiro, agronegócio, evangélicos e aliados políticos.

Segundo relatos feitos ao blog da jornalista Andréia Sadi, do G1, aliados de Flávio Bolsonaro avaliam, nos bastidores, que o senador passou a ser visto como um personagem politicamente “contaminado” até mesmo por segmentos da base bolsonarista. O temor é que a associação com Vorcaro gere desgaste para campanhas locais e dificulte a construção de alianças políticas em 2026.

O principal desafio de Flávio sempre foi ampliar sua influência para além do núcleo mais fiel ao bolsonarismo. No entanto, interlocutores do campo da direita afirmam que a crise atingiu justamente os pilares que sustentam esse grupo político: o mercado financeiro, o agronegócio, o segmento evangélico e a classe política.

Nos bastidores cresce o receio de que candidatos tenham de “carregar” Flávio em campanhas estaduais e municipais. Políticos relatam desconforto com o impacto do caso Vorcaro e falam em risco de contaminação eleitoral.

No mercado financeiro, o ambiente é descrito como ainda mais delicado. Empresários e banqueiros ouvidos pelo blog afirmam que há resistência inclusive a reuniões reservadas com Flávio Bolsonaro. O senador tenta construir um novo fato político para a área econômica, em movimento semelhante ao que Paulo Guedes representou para Jair Bolsonaro em 2018, mas enfrenta dificuldades para encontrar nomes capazes de transmitir renovação.

Interlocutores citam que os nomes mais próximos hoje são figuras já associadas ao governo Bolsonaro, como Gustavo Montezano, ex-presidente do BNDES, e Adolfo Sachsida, ex-ministro. Para empresários, essa articulação não representa novidade política nem acrescenta confiança ao mercado.

A avaliação reservada no setor financeiro piorou após a crise envolvendo Vorcaro. Um expoente do mercado resumiu o cenário ao blog com a frase: “ninguém quer se comprometer com um candidato visto como tóxico”.

No segmento evangélico, a movimentação em torno de Michelle Bolsonaro passou a ser acompanhada com atenção. Lideranças religiosas próximas da ex-primeira-dama avaliam que ela preservou capital político próprio ao evitar uma defesa pública direta de Flávio Bolsonaro.

Essa postura alimentou conversas sobre uma eventual composição de direita na qual Michelle pudesse ocupar a vice-presidência. Segundo o relato, Jair Bolsonaro veria essa hipótese com menos resistência do que uma candidatura dela à Presidência. O impasse, no entanto, permanece sobre quem lideraria esse projeto político.

No agronegócio, o clima também é de cautela crescente. Embora o setor continue majoritariamente alinhado ao campo conservador, empresários do agro demonstram incômodo com o desgaste político e jurídico em torno do entorno bolsonarista.

Reservadamente, aliados avaliam que a principal crise de Flávio Bolsonaro deixou de ser apenas externa. O desgaste, agora, passou a atingir o coração da base de sustentação política que poderia dar viabilidade a uma candidatura em 2026.

Artigos Relacionados