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Flávio Bolsonaro joga Ciro Nogueira para "debaixo do ônibus" após aliado virar alvo da PF, diz Noblat

Senador tenta reduzir o desgaste após operação da PF que teve o presidente do PP como alvo em meio às investigações do caso Master

Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado/Isac Nóbrega/PR)

247 - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto, deu sinais claros de afastamento político do presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI), em meio ao desgaste provocado pelo escândalo envolvendo o Banco Master, avalia o jornalista Ricardo Noblat em sua coluna no Metrópoles.

"Ao ser confrontado com o escândalo de corrupção que envolve Ciro Nogueira e o Banco Master, o senador não hesitou em empurrar o aliado de longa data para debaixo do ônibus. O que antes parecia ser uma parceria estratégica para 2026, com Ciro sendo ventilado como o vice ideal, foi reduzido por Flávio a uma reles 'cortesia'", destaca Noblat.

Distanciamento em meio à crise

Até recentemente, Ciro Nogueira era apontado como um dos principais aliados do bolsonarismo e considerado um possível nome para integrar alianças eleitorais da direita nas próximas eleições presidenciais.

No entanto, diante da repercussão negativa do caso envolvendo o Banco Master, Flávio Bolsonaro passou a adotar um discurso de distanciamento. A movimentação foi interpretada nos bastidores políticos como uma tentativa de evitar associação direta com o desgaste enfrentado pelo senador do PP.

De acordo com a análise, o comportamento do parlamentar repete uma estratégia já conhecida do núcleo bolsonarista: afastar-se rapidamente de aliados atingidos por crises políticas ou investigações.

Crise amplia tensão entre Centrão e bolsonarismo

O episódio também evidenciou novas fissuras na relação entre o bolsonarismo e setores do Centrão. Ciro Nogueira, que ocupou posição estratégica no governo Jair Bolsonaro, enfrenta um dos momentos mais delicados de sua trajetória política recente.

Em uma tentativa de minimizar o desgaste, Flávio Bolsonaro procurou reforçar um discurso de moderação institucional ao elogiar o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça por não "perseguir ninguém". A fala foi interpretada como mais um gesto para tentar reduzir os impactos políticos da crise. Enquanto isso, lideranças da direita acompanham com preocupação os desdobramentos do caso e seus possíveis reflexos na articulação política para 2026.

Cenário político em Brasília

O desgaste envolvendo Ciro Nogueira ocorre em um momento de intensa movimentação política em Brasília, com aliados do bolsonarismo passando a agir de forma pragmática diante do avanço das investigações e da pressão pública.

Operação Compliance Zero

A quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (7), apontou indícios de que o senador Ciro Nogueira teria recebido valores mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. As investigações também apontam possíveis vantagens adicionais, como viagens internacionais, hospedagens, uso de aeronaves particulares e acesso a imóveis de alto padrão.

As suspeitas aparecem em representação enviada pela PF ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator responsável por autorizar a quinta etapa da Operação Compliance Zero.

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